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OPINIÃO

José Santana Júnior: "Relação entre sedentarismo e diabetes"

Advogado, especialista em Direito Médico da Saúde

19 JUN 19 - 01h:00

Já parou para pensar que, com o passar dos anos, a sociedade tem se moldado para ficar cada vez mais acomodada e evitar movimento? Esse é um fator que acompanha a humanidade há séculos.  

Desde a antiguidade, os homens deixaram de ser nômades, criando aldeias e, posteriormente, civilizações. Estudos indicam que existem quatro cadeiras para cada habitante. Sendo assim, com há sete bilhões de pessoas no mundo, são cerca de 28 bilhões de cadeiras.  

O estilo de vida também é alterado com as inovações de dispositivos que visam facilitar o cotidiano e, ao mesmo tempo, auxiliam no crescimento do sedentarismo. O surgimento de um simples controle remoto, por exemplo, ocasionou a perda da obrigação de se levantar do sofá para mudar de canal. 

“Práticas mais atuais como o home office, que exclui a necessidade de se deslocar, também é um grande fator que contribui para o aumento desse quadro sedentário”, comentou a endocrinologista Lívia Porto.  

A definição de sedentarismo diz respeito à prática de atividades físicas leves inferiores a 150 minutos por semana. Realizar exercícios diariamente promove inúmeros benefícios para o metabolismo, sistema hemodinâmico, neurotransmissores, sistema cardíaco e pulmonar.

Além disso, dados indicam que indivíduos ativos apresentam o aumento da endorfina, que ajuda na proteção de doenças mentais. “Há também a redução das enzimas inflamatórias, fazendo um efeito de defesa contra o desenvolvimento de câncer”, completa Lívia.  

Da mesma maneira que ser ativo traz muitas melhorias, a inatividade física pode acarretar diversos problemas. O sedentarismo retém um impacto negativo em vários casos de doenças orgânicas, entre elas, a diabetes. A ligação entre ambos os termos requer atenção. 

O termo correto é diabetes mellitus, uma enfermidade caracterizada pela redução, ou dificuldade, da produção de insulina que, por sua vez, é responsável por consumir o açúcar proveniente da ingestão de carboidratos, resultando em energia. Nesse contexto, há o aumento do risco de lesões vasculares, como AVC e infarto.  

Existem três formas da doença, sendo a conhecida como “Tipo 2” a que detém uma relação próxima com o sedentarismo, já que seu aparecimento está correlacionado ao estilo de vida adotado. A pessoa sedentária tem uma redução do consumo de açúcar no organismo, sobrecarregando as células pancreáticas, e a diminuição da sensibilidade do corpo à insulina, gerando resistência. Dessa forma, a longo prazo, o indivíduo pode apresentar diabetes.  

Segundo a especialista, essa substância é fundamental para o ser humano. A base da alimentação da maioria da população brasileira está nos carboidratos e estes, por sua vez, são a origem da energia necessária para a realização das atividades diárias. “A falta de insulina leva à impossibilidade de converter açúcares em energia e, por isso, um dos sintomas do diabetes descompensado é a perda de peso”, pontuou.  

O estímulo à atividade física funciona como um aliado no combate do crescente sedentarismo e, consequentemente, auxilia na conscientização da diabetes. A pessoa ativa apresenta melhora na sensibilidade e no controle da insulina.  

Especialistas como os endocrinologistas têm um importante papel na conscientização e prevenção por estarem ligados ao tratamento de doenças metabólicas diretamente impactadas pela questão da prática de exercícios. 

Lívia afirma ainda que a família é indispensável na criação de um estilo de vida saudável. “Os pais devem influenciar no desenvolvimento do hábito de exercitar-se. Ao praticarem atividades físicas e promoverem lazer ao ar livre, há a redução das chances de essa criança ser um adulto sedentário no futuro”. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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