Artigos e Opinião

OPINIÃO

José Santana Júnior: "Relação entre sedentarismo e diabetes"

Advogado, especialista em Direito Médico da Saúde

Continue lendo...

Já parou para pensar que, com o passar dos anos, a sociedade tem se moldado para ficar cada vez mais acomodada e evitar movimento? Esse é um fator que acompanha a humanidade há séculos.  

Desde a antiguidade, os homens deixaram de ser nômades, criando aldeias e, posteriormente, civilizações. Estudos indicam que existem quatro cadeiras para cada habitante. Sendo assim, com há sete bilhões de pessoas no mundo, são cerca de 28 bilhões de cadeiras.  

O estilo de vida também é alterado com as inovações de dispositivos que visam facilitar o cotidiano e, ao mesmo tempo, auxiliam no crescimento do sedentarismo. O surgimento de um simples controle remoto, por exemplo, ocasionou a perda da obrigação de se levantar do sofá para mudar de canal. 

“Práticas mais atuais como o home office, que exclui a necessidade de se deslocar, também é um grande fator que contribui para o aumento desse quadro sedentário”, comentou a endocrinologista Lívia Porto.  

A definição de sedentarismo diz respeito à prática de atividades físicas leves inferiores a 150 minutos por semana. Realizar exercícios diariamente promove inúmeros benefícios para o metabolismo, sistema hemodinâmico, neurotransmissores, sistema cardíaco e pulmonar.

Além disso, dados indicam que indivíduos ativos apresentam o aumento da endorfina, que ajuda na proteção de doenças mentais. “Há também a redução das enzimas inflamatórias, fazendo um efeito de defesa contra o desenvolvimento de câncer”, completa Lívia.  

Da mesma maneira que ser ativo traz muitas melhorias, a inatividade física pode acarretar diversos problemas. O sedentarismo retém um impacto negativo em vários casos de doenças orgânicas, entre elas, a diabetes. A ligação entre ambos os termos requer atenção. 

O termo correto é diabetes mellitus, uma enfermidade caracterizada pela redução, ou dificuldade, da produção de insulina que, por sua vez, é responsável por consumir o açúcar proveniente da ingestão de carboidratos, resultando em energia. Nesse contexto, há o aumento do risco de lesões vasculares, como AVC e infarto.  

Existem três formas da doença, sendo a conhecida como “Tipo 2” a que detém uma relação próxima com o sedentarismo, já que seu aparecimento está correlacionado ao estilo de vida adotado. A pessoa sedentária tem uma redução do consumo de açúcar no organismo, sobrecarregando as células pancreáticas, e a diminuição da sensibilidade do corpo à insulina, gerando resistência. Dessa forma, a longo prazo, o indivíduo pode apresentar diabetes.  

Segundo a especialista, essa substância é fundamental para o ser humano. A base da alimentação da maioria da população brasileira está nos carboidratos e estes, por sua vez, são a origem da energia necessária para a realização das atividades diárias. “A falta de insulina leva à impossibilidade de converter açúcares em energia e, por isso, um dos sintomas do diabetes descompensado é a perda de peso”, pontuou.  

O estímulo à atividade física funciona como um aliado no combate do crescente sedentarismo e, consequentemente, auxilia na conscientização da diabetes. A pessoa ativa apresenta melhora na sensibilidade e no controle da insulina.  

Especialistas como os endocrinologistas têm um importante papel na conscientização e prevenção por estarem ligados ao tratamento de doenças metabólicas diretamente impactadas pela questão da prática de exercícios. 

Lívia afirma ainda que a família é indispensável na criação de um estilo de vida saudável. “Os pais devem influenciar no desenvolvimento do hábito de exercitar-se. Ao praticarem atividades físicas e promoverem lazer ao ar livre, há a redução das chances de essa criança ser um adulto sedentário no futuro”. 

Artigo

Piso mínimo de frete: os desafios que a reforma tributária traz para 2027

O piso mínimo de frete não é uma obrigação apenas dos grandes transportadores, todos aqueles que contratam e pagam fretes precisam cumprir o que determina a legislação

23/10/2026 07h20

Continue Lendo...

O piso mínimo de frete existe desde 2018, criado no contexto da greve dos caminhoneiros. Mas, apesar de a legislação estar em vigor há alguns anos, seu cumprimento e sua fiscalização passaram por diferentes momentos até chegarmos ao cenário que temos hoje.

É importante começar por um ponto que ainda gera dúvida: o piso mínimo de frete não é uma obrigação apenas dos grandes transportadores, todos aqueles que contratam e pagam fretes precisam cumprir o que determina a legislação.

A ANTT passou de fiscalizações mais presenciais e volantes para um processo cada vez mais apoiado em tecnologia. Com isso, as empresas passaram a ser mais fiscalizadas e autuadas, chegando a situações mais graves, como a suspensão do RNTRC.

Mas existe uma questão importante nessa discussão: não há como estabelecer um piso para os pequenos transportadores sem que ele também seja considerado nas operações realizadas pelos grandes transportadores.

Mas existem inúmeros outros custos que não estão contemplados na tabela. Um deles, que considero cada vez mais relevante, é justamente o custo da regularidade fiscal.

Hoje, uma parcela significativa dos pequenos transportadores e autônomos trabalha em um ambiente de baixa estrutura administrativa e fiscal.

Também temos um cenário relevante de informalidade tributária no transporte. De acordo com estudo da Ampef realizado em 2025, 43% dos fretes realizados no Brasil não são tributados fiscalmente.

Os dados da ANTT ajudam a dimensionar a presença dos pequenos transportadores nesse cenário. Entre os 905.467 transportadores com RNTRC ativo, 632.628 são transportadores autônomos de cargas (TACs) e outros 218.607 são empresas equiparadas a TACs, com até três veículos. Juntas, essas categorias representam cerca de 94% dos transportadores registrados.

Isso mostra que a discussão sobre regularidade fiscal e estrutura administrativa envolve uma parcela muito significativa do setor. E informalidade não significa ausência de custo.

Todos esses pequenos transportadores precisarão estar cada vez mais preparados para emitir documentos fiscais, manter sua regularidade, contar com suporte contábil e financeiro e lidar com uma estrutura tributária que muitos ainda não conhecem.

Esse ponto é fundamental porque, atualmente, muitos grandes embarcadores não querem se sujeitar a um valor superior ao que consta no piso mínimo de frete. Quando colocamos a reforma tributária nessa equação, o cenário fica ainda mais complexo.

Além da necessidade de maior regularidade fiscal e de toda a estrutura administrativa que será necessária, teremos também mudanças na carga tributária de diferentes operações e modelos de negócio.

Nós mesmos, da Rumo Brasil, realizamos um estudo sobre esse impacto em transportadoras que atuam no agronegócio e chegamos a um dado que merece muita atenção: a carga tributária dessas empresas do agro poderá aumentar, em média, 414,44% com a implementação da CBS.

O setor já chega pressionado a 2027, e tudo isso acontece em um momento em que o transporte rodoviário de cargas já enfrenta um cenário bastante delicado. Temos transportadoras com aumento do volume de endividamento financeiro, empresas encerrando suas atividades e outras recorrendo à recuperação judicial.

Se acrescentarmos a esse cenário novos custos de regularidade fiscal, mudanças na tributação e uma fiscalização cada vez mais tecnológica e rigorosa, teremos uma pressão ainda maior sobre as margens. Na minha visão, o grande desafio será garantir que regularidade fiscal, compliance, tributação e formação do preço do transporte caminhem juntos.

Os pequenos transportadores precisam se estruturar para uma realidade fiscal que muitos ainda não enfrentam hoje. E os contratantes precisam entender que o piso mínimo de frete é, de fato, um mínimo, e não necessariamente o preço suficiente para tornar uma operação rentável. Precisamos conseguir fazer com que os custos adicionais da regularidade fiscal e da reforma tributária estejam refletidos na formação do frete.

E estamos diante de uma nova discussão: como garantir que esse piso continue cumprindo seu papel em um setor que terá uma estrutura tributária, fiscal e operacional muito diferente a partir de 2027?

Editorial

O óleo diesel e a segurança energética

Energia barata e segura atrai investimentos, sustenta a produção e protege a renda. Isso não significa ignorar a transição energética, mas reconhecer que ela exige planejamento

23/10/2026 07h10

Continue Lendo...

O preço do diesel será um dos grandes desafios econômicos dos próximos meses. Em meio à instabilidade internacional no mercado de energia, novas altas podem pressionar a inflação e reduzir o poder de compra. Não se trata apenas do valor pago no posto, o impacto se espalha pela economia.

Neste ano, o diesel subiu cerca de 21% no Brasil. O aumento poderia ter sido maior, diante da escalada internacional dos preços e das medidas adotadas para conter o repasse ao mercado interno.

A Petrobras, por ser estatal e ter peso relevante no abastecimento, influencia os preços praticados no País. Essa capacidade, porém, não elimina a exposição às cotações externas, ao câmbio e aos custos de importação.

Conter reajustes alivia a pressão imediata sobre famílias e empresas, mas não constitui solução permanente. Subsídios e intervenções têm custos e limites e precisam ser avaliados com transparência. Ignorar a dimensão estratégica da energia também seria fechar os olhos para a realidade.

A maior parte do transporte de cargas no Brasil depende das rodovias. Quando o diesel encarece, sobe o frete e, em sequência, o custo de alimentos, medicamentos e outros produtos. Também ficam mais caras as operações do agronegócio, da indústria e dos serviços. O efeito chega ao custo de vida e alimenta a inflação.

A experiência europeia mostra como a alta dos combustíveis pode ampliar a insatisfação social. Protestos em diferentes países têm entre seus fatores o encarecimento da energia e das despesas cotidianas.

Embora não expliquem sozinhos as mobilizações, os preços elevados pesam sobre transportadores, produtores rurais e consumidores.

Essa dimensão deve orientar o debate sobre segurança energética. Espera-se de quem for eleito presidente da República uma estratégia de longo prazo, que considere não apenas a produção de petróleo, mas também refino, abastecimento, infraestrutura, concorrência e previsibilidade de preços. Segurança energética significa dispor de energia confiável e a custo compatível com a competitividade.

O mundo mudou, e dogmas que pareciam inquestionáveis no passado recente precisam ser revistos diante dos novos riscos. Energia barata e segura atrai investimentos, sustenta a produção e protege a renda.

Isso não significa ignorar a transição energética, mas reconhecer que ela exige planejamento, fontes diversificadas e viabilidade econômica.

O Brasil não pode tratar os combustíveis apenas como problema conjuntural, enfrentado a cada crise, é necessário combinar responsabilidade fiscal, capacidade produtiva e políticas que reduzam vulnerabilidades externas.

Sem visão estratégica, cada choque internacional ameaça o custo de vida. A segurança energética precisa ocupar o centro das decisões nacionais.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).