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OPINIÃO

José Otavio Menten: "Brasil não é o maior consumidor de pesticidas"

Engenheiro-agrônomo e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável
18/01/2020 01:00 -


Existe uma difusão de informações que não são verdadeiras. São as chamadas “fake news”. De acordo com o jornalista Herton Escobar, especializado em ciência e meio ambiente, “dar voz à mentira não é imparcialidade, é irresponsabilidade”. Embora a verdade nem sempre seja óbvia, é preciso buscar fontes seguras e valorizar a opinião dos especialistas.

O Brasil é o único país do mundo a denominar os produtos, tanto químicos como biológicos, usados na proteção de plantas, como “agrotóxicos”. No mundo inteiro são conhecidos como pesticidas, praguicidas, defensivos agrícolas, agroquímicos, etc.

A nova legislação, já aprovada em comissão especial e pronta para ser avaliada pelo Congresso Nacional, propôs o termo “pesticida”. Provavelmente não o mais adequado, mas melhor que “agrotóxico”, que apresenta uma conotação negativa que induz a sociedade a uma imagem inadequada e distorcida.

Alguns produtos usados na agricultura também são utilizados como domissanitários e medicamentos. São os mesmos ingredientes ativos em formulações diferentes. Pior ainda é chamar os protetores das plantas de “veneno”.

O consumo dos produtos fitossanitários deve ser expresso na quantidade utilizada nas plantações e pode ser mensurado em kg de ingrediente ativo por hectare (10.000 m²) e gramas por tonelada de alimento produzido.

Não tem sentido expressar o consumo em termos de quantidade por habitante, já que não são aplicados nas pessoas, e sim nas plantas. Outro aspecto importante é que os produtos comerciais utilizados pelos agricultores têm cerca de 50% de “inertes”, que são substâncias sem atividade biológica (solventes, componentes aditivos, etc).

Também há necessidade de se utilizar dados de venda confiáveis que retratem o que de fato foi utilizado. Assim, a fonte mais segura é o Sindiveg, que mostra que, em 2017, foram vendidos no Brasil 886.200 toneladas de produtos comerciais e 454.000 toneladas de ingredientes ativos (IAs).

Dessa forma, conhecendo-se a área onde esses produtos foram aplicados e a produção vegetal nessa área é possível calcular os indicadores de consumo.

As notícias que circulam informando que cada brasileiro consome 5,2 litros de “agrotóxico” por ano não têm o menor sentido. Em algumas regiões do Brasil, há informações de “consumo” de 7,2 litros/pessoa/ano.

E que o País é o maior consumidor também não tem base técnico-científica.

O Brasil é líder de vendas, mas tem uma área cultivada e uma produção vegetal muito grande, o que confere um consumo “ranqueado”, no mundo, entre o 7º e 51º lugar, dependendo dos índices utilizados. Considerando kg de IA/ha, o valor no Brasil é de 3,2, enquanto na Holanda é de 20,8; no Japão, 17,5; na Bélgica, 12; na França, 6; na Inglaterra, 5,8; na Alemanha, 4; e nos Estados Unidos, 3.

As informações que não retratam a verdade vêm prejudicando a imagem da agricultura brasileira para a população e para os importadores. O agro é importante em termos econômicos e sociais (23% do PIB, 40% das exportações e 20% dos empregos) e também ambientais (matas nativas ocupam 66% da terra brasileira, cabendo à agricultura apenas cerca de 7%).

Não há evidências científicas de intoxicação de pessoas e problemas ambientais relevantes quando os pesticidas são usados corretamente. Assim, os alimentos produzidos no Brasil são considerados saudáveis e têm contribuído para uma vida mais longa e com boa qualidade para os brasileiros e a população mundial, que consome, cada vez mais, alimentos produzidos no Brasil.

Felpuda


Malfeitos que teriam sido praticados em tempos não tão remotos podem ser a pedra no caminho de pré-candidatura que está sendo costurada. As conversas ainda estão nas “ondas da rádio-peão”, mas, com a proximidade da campanha eleitoral, há quem diga que isso se tornará uma tremenda dor de cabeça para quem vai enfrentar as urnas. Pior:  o dito não seria culpado direto, mas sim a sua...  Bem, deixa rolar para ver onde vai parar.