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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

opinião

José Neres: "Upskirting, um crime do momento"

Professor, pesquisador e doutorando em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Uniderp

12 SET 2017Por 01h:00

Para muitas pessoas, upskirting é apenas uma palavra complicada, possivelmente mais desses modismos passageiros que durarão uma estação e depois cairão no esquecimento.

Alguém menos informado pode até pensar que se trata de um novo esporte, de um novo grupo musical ou de algum aparelho recentemente colocado no mercado. Mas não é nada disso. Trata-se de um crime que vem sendo praticado e para o qual poucas pessoas têm dado a devida atenção.

Ainda sem um equivalente na língua portuguesa, por trás dessa palavra se esconde um crime bastante antigo, que antes era visto apenas como uma brincadeira de mau gosto, mas que, graças aos avanços tecnológicos e à falta de escrúpulos de muitas pessoas, vem ganhando proporções gigantescas, deixando as mulheres sobressaltadas e levando algumas a redobrarem o grau de desconfiança com relação às pessoas que estejam no seu entorno e até a desenvolverem algumas fobias.

Quando vistos de forma isolada, os elementos lexicais que formam esse neologismo: up (acima/sobre), skirt (saia)/skirting (rodapé) parecem nada dizer.

Contudo, quando associadas a uma prática inescrupulosa, essa palavra não apenas assusta como também põe em jogo o uso da imagem e o direito de liberdade das pessoas.

Em termos gerais, upskirting consiste em alguém utilizar algum instrumento fotográfico (principalmente câmeras de celulares) para filmar ou fotografar as partes íntimas de mulheres que estejam de saia. O jogo de palavras skirt/skirting se dá pelo fato de o infrator ter de posicionar a câmara próximo ou rente ao chão, para conseguir o melhor ângulo antes de efetivar seu crime.

Alguém poderá argumentar que nas décadas de 80 e 90 do século passado, nos programas de auditório, era muito comum um cinegrafista posicionar-se em um plano abaixo da linha do palco para poder dar closes nas regiões pudendas das rebolantes dançarinas.

Também muitos devem se lembrar da polêmica cena da cruzada de pernas de determinada atriz em um filme.

Outros ainda se lembrarão da modelo que foi fotografada sem calcinha ao lado de um presidente da República em um camarote em um desfile de escola de samba. Não serão raros os casos em que alguém considerará exposições assim como algo totalmente normal. No entanto, o atual caso do upskirting assume uma outra dimensão.

Não se trata mais de algo ensaiado, planejado ou mesmo acidental, mas sim da exposição da intimidade de alguém que nem mesmo pode vir a saber que está sendo vítima de um crime.

Os adeptos dessa prática espreitam suas vítimas em locais públicos e, em um momento de distração, a mulher tem sua intimidade filmada e/ou fotografada. A seguir, essas imagens são disponibilizadas na internet, muitas vezes inclusive com exposição também do rosto da vítima e o local onde o delito foi cometido.

Alguns meliantes mais ousados chegam mesmo a comercializar esses arquivos em páginas virtuais feitas especialmente para esse fim. Obtendo lucro a partir da distração e do constrangimento de alguém que possivelmente jamais pensou em expor suas intimidades físicas na grande rede de computadores.

Desse modo, o que para alguns é visto como fetiche, brincadeira ou até mesmo uma forma espúria de ganhar dinheiro, para as vítimas pode ser fonte de constrangimento, escárnio por parte de terceiros e invasão de privacidade, podendo levar as mulheres fotografadas inclusive a um estado de depressão.

A prática de upskirting não deve ser considerada uma brincadeira inconsequente, mas, sim, como um crime passível de penalidade. E, como em todo ato delituoso, as vítimas devem ser protegidas e os criminosos devem ser exemplarmente punidos.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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