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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

ARTIGO

José Neres: "Pensando com
o cérebro alheio"

Professor e doutorando em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Uniderp

19 JUL 2017Por 02h:00

O cérebro humano é uma máquina extremamente poderosa. Mesmo tendo pesando o equivalente a pouco mais de 2% da massa corpórea, esse importante órgão consome cerca de 20% de toda a energia produzida pelo corpo, e aproximadamente 40% do oxigênio necessário para a manutenção da vida humana é consumido pelo cérebro. Ele, com seus trilhões de conexões sinápticas, é o responsável direto ou indireto por praticamente todas as funções vitais do ser humano.

 Além disso, o cérebro é capaz de armazenar uma quantidade incalculável de informações e de captar nuances que nem sempre são percebidas por visão, tato, olfato, audição ou paladar. Alguns neurocientistas afirmam que nosso cérebro é capaz de captar até onze milhões de informações por segundo, mas que no máximo 40 dessas informações são percebidas e ou aplicadas no dia a dia.

 Mesmo contando com um computador tão potente quanto esse devidamente instalado na área mais protegida do corpo, muitas pessoas ainda não se deram conta de que são capazes de raciocinar por conta própria e que podem construir e articular ideias que, mesmo não sendo originais, sejam suas e que tragam em si suas marcas e seu estilo.

Vivemos na era da informação. Porém essa quantidade enorme de dados recebidos a cada segundo nem sempre tem se transformado em conhecimentos. Quase sempre tais informações são jogadas no limbo da efemeridade e são substituídas por outras e mais outras... sem que haja um esforço em compreender as causas e as consequências de cada conjunto de informações adquiridas em cada acesso às mídias, sejam elas físicas ou eletrônicas.

Algumas pessoas, mesmo diante de uma imensa possibilidade (in)formativa, talvez por não confiarem em seu poder de análise e de síntese, por falta de prática na articulação de pensamento ou por pura preguiça mental, preferem usar ideias e conclusões alheias a tentar construir um raciocínio próprio.

Não é raro o caso em que, diante de um tema polêmico, o cidadão ou cidadã recorra às redes sociais, aos vídeos da internet, aos programas de televisão ou a alguns influentes locutores de rádio para buscarem a munição argumentativa que será utilizada nas conversas de esquina ou reproduzidas nas páginas pessoais, sem um filtro crítico e sem um olhar mais criterioso. O importante é dizer algo, mesmo que, em casos assim, não se trate de uma opinião formulada, mas sim de uma reprodução automática de ideias alheias.

Claro que é normal recorrer aos pensamentos de pessoas abalizadas e utilizar diversas fontes de informação na construção de novas ideias. Todos os grandes vultos da humanidade fizeram isso. Todavia a mera reprodução de frases soltas e desarticuladas sobre determinado assunto acaba se tornando uma evidência cabal da falta de discernimento e da ausência de um senso crítico.

É lamentável que algumas dessas pessoas ainda considere um gênio por fazer uma bricolagem de pensamentos alheios, misturando frases aleatórias e sem sentido em um discurso falacioso, desarticulado e muitas vezes carregado de preconceitos. Mas o pior mesmo é perceber que milhares desses pensamentos acéfalos são curtidos e compartilhados em redes sociais, recebendo graciosas “palminhas” e formando o “pensamento” de muitas outras pessoas que também optaram por não fazerem uso dos bilhões de neurônios que possuem.

Como foi dito, vivemos na era das informações, grande parte do conhecimento humano encontra-se hoje a um clique, mas há uma multidão que, por alguns motivos inconfessáveis, prefere usar a fantástica massa encefálica que possui como mera massa de manobra. Pensar pelo cérebro alheio parece ser mais fácil, mais cômodo e menos dolorido.

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