Terça, 20 de Fevereiro de 2018

opinião

João Batista Pereira: 'Vaidade?'

Advogado

9 FEV 2018Por 01h:00

A vaidade é autocrítica ou opinião envaidecida que alguém possui sobre si mesmo: sua vaidade sempre está acima de tudo! O autor deste artigo não gostaria de ser visto desse modo, embora a vaidade seja intrínseca nas pessoas, com menor ou maior incidência. Quem não gosta de elogios?

 Atribui-se ao ministro Raul Jungmann (Defesa) o seguinte: “Este sistema [de segurança pública] vigente está falido”. 

Também sustenta que “o crime se nacionalizou”. E mais: “Admissão de fracasso – Fica melhor na boca do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) a afirmação de que ‘o sistema de segurança pública no País está falido’. Dita pelo ministro da Defesa, a frase soa como admissão de fracasso.” (Correio do Estado, 1º/02/18 – Cláudio Humberto). 

Ao admitir o fracasso e a nacionalização do crime, o ministro descobre de quem é a culpa pela escalada da violência e criminalidade: a falência dos órgãos de segurança pública. Raul Jungmann, a bandidagem se apoderou do Brasil faz tempo. Sabe por quê? Simplesmente porque não existe política séria e adequada voltada à segurança das pessoas que vivem apavoradas em sobressaltos.

  Nem tudo está perdido, não é? Parece que o senhor encontrou solução mágica para retirar a segurança da falência.  “Propõe a criação da ‘Força Nacional’ permanente”. (“Para Jungmann, o que é feito com a Força Nacional, que é acionada quando necessário, ‘é um avanço, mas não é suficiente’. 

‘Que ela seja estável, efetiva e receba o treinamento das Forças Armadas. Sob meu ponto de vista, que também fique sob a responsabilidade do ministro da Justiça’. Os planos, segundo o ministro, ainda estão em fase de discussão e dependem da aprovação de Temer. Entretanto, a escolha dos militares seria feita por meio de concurso. ‘Recrutar aquele que tem talento e dar uma boa formação’”)  [sic]

Mais uma polícia elitizada? O que fazer com as polícias no âmbito federal e estadual que trabalham no limite de suas forças humanas, sem recursos, com baixos salários, com formação não bem apropriada e, mesmo assim, até com o sacrifício da própria vida, esforçam-se para deter o avanço da criminalidade? 

Não é proibido sonhar, mas é melhor colocar os pés no chão e ver a realidade como ela é, e não como simples ficção. Jungmann descobre um pouco tarde os efeitos da pólvora. 

O provincianismo deste autor, da imprensa escrita, televisiva e radiofônica de Mato Grosso do Sul não inibe o dever em denunciar a calamidade que assola a segurança e outras amazelas que afligem o País. O ministro e o seu confrade da Justiça por certo tomaram conhecimento de achaques feitos ao Poder Judiciário por figuras do Partido dos Trabalhadores? Qual foi a reação? 

O silêncio (foi o grito estrondoso) contra esse desrespeito à Justiça. Não há como aceitar incentivo à prática criminosa sem que haja reação legal. A revista Veja, na sua primeira edição do ano, fala em rebeliões de presidiários, greves de policiais, ascensão de facções, polícias sucateadas, a falta de compromisso dos governantes com a paz e a vida dos brasileiros.

Correio do Estado, com seus 64 anos de atividades jornalísticas, jamais faltou ao País. Atentem para o Editorial de 30/10/2016: “A GUERRA NO COTIDIANO” – “O erro mais evidente está bem perto dos sul-mato-grossenses, com o esquecimento da fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia”; “No dia a dia, a população precisa adaptar sua casa e programar comportamento para tentar ‘escapar dos criminosos’”; “A sensação é que, aos poucos, vamos nos tornando reféns desse avanço da criminalidade”. 

Há outros artigos, assinados por este autor, denunciando a falência do sistema de segurança pública.  Reproduz-se trecho do “TÁ DIFÍCIL” (18/01/2017): “Há dias o signatário vinha imaginando um título para este artigo que amenizasse a real calamidade da segurança pública. Poderia tentar vocábulos mais contundentes configurando a tristeza, decepção e preocupação com a derrocada de um sistema que tinha o dever de proteger pessoas e bens, incluindo o bem maior: a Vida; mas fracassou e faliu”. 

Grifamos. Senhor ministro da Defesa, há muito tempo a segurança pública está falida; não é de agora.

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