Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

ARTIGO

J. Bandeira: "Os bruxos Joesley e Wesley Batista ainda continuam ilesos?"

Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil aposentado, e ex-Vereador em Campo Grande

23 JUN 2017Por 02h:00

 Sim, e eles são donos da J&F, a holding que controla a JBS, a maior empresa de processamento de proteínas animal do mundo. Porém, na condição de delatores, elegeram como principal destaque do escândalo, o presidente Michel Temer, o que, na realidade, abalou o País.

Como funcionou a maquinação de Joesley?  Alvo de 5 operações da Polícia Federal, o delator sentindo-se entre as grades de um curral, portanto, quase encurralado pela Justiça, pois, sem dúvida, acabaria na cadeia, levando em linha de conta que o Ministério Público pedia a sua prisão como, também, de seu irmão Wesley, num caso que apura fraudes junto ao BNDES, nos governos do PT. A Polícia Federal constatou que o BNDES, num financiamento discutível, injetou R$15 bilhões nos negócios da JBS.

Então, na iminência de serem trancafiados, os irmãos Batista engendraram uma estratégia, objetivando preparar uma DELAÇÃO SECRETA. Como funcionaria? Colocando um GRAVADOR NO BOLSO, Joesley procurou Temer, na calada da noite no Palácio do Jaburu, oportunidade em que gravou diálogos com ele, que no seu juízo o comprometeriam. Assim, de posse das gravações, com o presidente, os irmãos Batista dirigiram-se à Procuradoria-Geral da República, oferecendo a engenhoca manipulação da delação. Aí, o quadro se agravou, com a abertura de investigação pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Entretanto, Rodrigo Janot só apresentará a denúncia contra o presidente Temer até o fim de junho/17, uma vez que o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, no STF, concedeu esse prazo, a fim de que a Polícia Federal possa concluir o inquérito sobre a denúncia de Joesley Batista, do grupo JBS.

Entretanto, a grande e boa verdade, enquanto muitos perdiam fortunas, os delatores da JBS lucravam com a delação. Os irmãos Batistas, legítimos corjas, gatunos, mostraram que, ousadia e boas relações compensam. Desse modo, o acordo de delação premiada fechado por Joesley e seu irmão, com a Procuradoria-Geral da República escandalizaram os maiores especialistas na área constitucional. Pelo acordo homologado pelo STF, os irmãos metralhas não passarão um dia na prisão, não precisarão usar tornozeleira eletrônica  nem cumprirão pena no regime aberto. Seus bens não serão arrestados e seus passos não serão vigiados. Ambos poderão circular livremente pelo País e fora dele. Preferiram viajar para Nova Iorque. Perguntar-se-á: por que Marcelo Odebrecht continua preso e os irmãos metralhas continuam só denunciando livremente? É uma ANISTIA PLENA, diz o jurista Modesto Carvalho, um dos maiores especialistas em corrupção no Brasil.

Os irmãos metralhas Joesley-Wesley, sabedores de que a notícia da delação iria conturbar o ambiente acionário do Brasil, a começar pelo desabamento das Bolsas de Valores e a desestabilização do dólar, não estavam nem aí, como se diz na gíria. Certo é que no dia seguinte, ao da divulgação da delação, o IBOVESPA, o principal índice de ações da bolsa brasileira, entrou em pânico e caíram quase 9%, o pior resultado desde outubro/2008. À evidência, muitos investidores  amargaram grande prejuízo, porém a JBS faturou 600 milhões de reais apenas em operações de câmbio e juros que somara quase 3 bilhões de dólares. Como não poderia deixar de acontecer, a JBS é investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula e fiscaliza o mercado financeiro por ter lucrado com a compra de dólar no mercado futuro. Joesley sozinho tinha em 2006 um patrimônio de 3,1 bilhões de reais, segundo a revista FORBES. Eis, aí, o cardápio dos digníssimos delatores de Temer, para o juízo do leitor (a).

Que a situação da governabilidade de Temer é de elevada preocupação, não tenhamos dúvida. Todavia, o que se DISCUTE HOJE é a DEPOSIÇÃO DE TEMER do cargo de presidente. Temer venceu a primeira batalha no Tribunal Superior Eleitoral que julgou a cassação da chapa Dilma-Temer. Foram 4 votos a 3. Napoleão Maia, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho e Gilmar Mendes absolveram o presidente Temer e a ex-presidente Dilma pela acusação de poder político e econômico e, pela cassação do mandato de Temer e pela perda dos direitos políticos de Dilma, votaram Luiz Fux, Rosa Weber e Herman Benjamin.
Agora, somente, há que se aguardar a segunda e última etapa no que se refere à sobrevivência ou não do presidente no poder. A estratégia do governo é arregimentar e fortalecer a sua base política no Congresso Nacional, que analisará a denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Leia Também