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Campo Grande - MS, domingo, 18 de novembro de 2018

OPINIÃO

O STF pode reabrir discussão sobre delação de Joesley, o “bandido notório”

J. Bandeira é auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil aposentado e, ex-vereador em Campo Grande, MS

1 AGO 2017Por 01h:00

 Sim, realmente, o Supremo Tribunal Federal deve retomar a discussão sobre a LEGALIDADE de gravações dialogadas entre Joesley e o presidente Temer, na calada da noite, no Palácio do Jaburu, sem AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Todavia, permita-me leitor (a), abrir um parêntese, para a exposição de uma entrevista que assisti no dia 16/07/17, num programa da Globonews. Um dos entrevistados, assim ajuizou, de cunho globalizante, o momento político-institucional, do presidente Michel Temer, no que tange à administração do seu governo: Nomenclaturou, na análise do governo Temer duas situações: COMO SE GOVERNA e QUEM GOVERNA. A fúria popular é contra somente sobre quem governa.

COMO SE GOVERNA:

 Temer, contando com a farta musculatura política, aprovou a PEC do TETO DOS GASTOS do setor público. Foi sancionada a proposta que flexibiliza as regras de exploração do pré-sal, eximindo a Petrobras de ser a operadora de todas as áreas de extração e produção. Essa medida aprovada abriu caminho para a retomada do investimento privado na área de petróleo e gás. Iniciou-se, ainda, a rodada de privatizações para recuperar o setor elétrico. A CELG, estatal de distribuição de energia de Goiás, foi vendida ao grupo italiano ENEL por 2,2 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, a Petrobras vem se reorganizando, reduzindo de maneira acentuada sua brutal dívida e, desse modo, já alcançando superavit no BALANÇO GERAL de suas atividades. 

Também foi aprovada a polêmica REFORMA TRABALHISTA, propiciando, sem dúvida, a redução dos custos para os empregadores e, sobretudo, incentivar o trabalho formal, uma vez que, as leis atuais, criaram excessiva proteção, para quem está empregado com carteira assinada, redundando em milhões de processos trabalhistas, ocasionando entraves aos julgadores das lides. Então, agora, tanto o empregador quanto o empregado podem DECIDIR entre si o questionamento do contrato de trabalho. A reforma conta com centenas de alterações da legislação, porém mantém direitos como férias, 13º salário, seguro-desemprego, salário mínimo, licença-maternidade e aviso-prévio. Já, na pauta, as reformas Previdenciárias e Tributárias. Por derradeiro, há que se lançar, no crédito do governo, a menor inflação nos últimos 10 anos; juros de um dígito e, sobretudo, a redução do desemprego, como bem assinalou o Jornal Nacional de 28/07/17.

QUEM GOVERNA:

 Joesley Batista grava Temer na calada da noite, no Palácio do Jaburu. Na iminência de ser trancafiado, Joesley engendrou uma estratégia, objetivando preparar uma delação secreta. Então, de gravador no bolso, dirigiu-se ao Jaburu, oportunidade em que gravou diálogos com Temer, que, no seu juízo, o comprometeria; Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, “O homem da mala”, foi flagrado recebendo 500 mil reais de propinas em troca de favorecimento ao grupo JBS; a JBS diz – e prova – que Temer viajou de graça em seu jatinho; Funaro, doleiro do PMDB, acusa Temer de ter orientado repasse de dinheiro da Caixa Econômica; a Polícia Federal diz: há evidências “com vigor”, de que Temer praticou corrupção, reportando-se à gravação no Jaburu, embora, diga-se, a bem do bom esclarecimento, que o notável perito Ricardo Molina tenha contestado que a gravação entre Temer e Joesley é “imprestável como prova em uma investigação”.

Vamos agora, ao momento crucial da crise, que envolve o presidente Temer. Numa análise pretérita, relembramos que os irmãos metralhas Joesley e Wesley, sabedores de que a notícia da delação iria conturbar o mercado acionário do Brasil, a começar pelo desabamento das Bolsas de Valores e da desestabilização ao dólar, não estavam nem aí, como se diz na gíria. O certo é que no dia seguinte ao da divulgação da delação, o IBOVESPA, o principal índice de ações da Bolsa, entrou em pânico, e as ações caíram quase 9%. Consequência? De um lado os investidores amargando prejuízos e do outro lado, a JBS faturando quase 3 bilhões de dólares, entre operações de câmbio e juros.

 Poderá, sim, ocorrer uma reviravolta na denúncia de Rodrigo Janot contra Temer, no caso da delação de Joesley, da JBS. A candidata vitoriosa RAQUEL DODGE, que assumirá em setembro/17 a Procuradoria-Geral da República, não deixa por menos e admitiu o seguinte: Sobre a denúncia de Joesley, gravando Temer no Jaburu, “trata-se de uma questão EM ABERTO, uma vez que, provado fique, que a JBS privilegiou-se com a engenhosa manipulação, para FATURAR ALTO NO MERCADO FINANCEIRO o acordo homologado pelo STF, dando liberdade total para o denunciante poderá sim, SER REVISTO”.
Por ora, é aguardar, por esses dias, que a denúncia de Janot, chegue ao Congresso Nacional, para a apuração da conduta de Michel Temer.

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