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Quarta, 20 de Junho de 2018

ARTIGO

J. Bandeira: "Caminhoneiros
estão com protesto legítimo"

Auditor-fiscal da Receita Federal aposentado e ex-vereador na Capital

12 JUN 2018Por 02h:00

Porém, não podem parar e quebrar o Brasil. Pergunto ao leitor (a): é a primeira vez que essa situação acontece no Brasil? Não. Anteriormente, duas tentativas de mobilização nacional dos caminhoneiros, em 2013 e 2015, não prosperaram. Ora, se a operacionalidade para os caminhoneiros (custo diesel) aumenta, até parece que para o governo (o frete) tende a baixar e não a subir?

 Então, ato contínuo, vem a indagação: o reajuste do diesel tem ou não tem que ocorrer? Somos, assim me expresso, obrigados a reconhecer a ineficiência do governo, que, no tempo solicitado pelos caminhoneiros, parece-me que não quis enxergar ou mensurar o movimento reivindicatório da classe ofendida?

Evidentemente que a paralisação dos caminhoneiros não só desestabilizou como interrompeu o fornecimento de alimentos à população, como ainda o transporte de produtos perecíveis, cargas vivas, ração e medicamentos. O que aconteceu de mais abominável foi a demonstração dos produtores rurais jogando leite fora, os animais morrendo por falta da ração que não chegava, como foi o caso dos frangos em Santa Catarina. Enfim, o colapso no abastecimento interno e nas exportações. O transporte escolar ficou interrompido, assim como serviços ambulanciais e o odor nas vias públicas pela falta da coleta do lixo. Nas fábricas, houve a suspensão do trabalho por falta de componentes. Também o escoamento da safra de grãos ficou comprometido, justamente na temporada de exportação. E os frigoríficos? À evidência, não tinham carne para processar. Chamaríamos todo esse transtorno de CUSTO IMEDIATO DA GREVE, pois, os resultados da paralisação foram lamentáveis, sobretudo, sob o aspecto econômico. Segundo projeções de economistas do País, um custo imediato de R$ 60 bilhões e como sempre a ser bancado pelo cidadão comum
A grande verdade é que os caminhoneiros, a despeito do exposto, conquistaram a adesão  nacional, e ainda, fustigaram o presidente Temer, que, acuado, tornou-se devedor das pressões e, dessa forma, teve e ceder.

 E a cessão importou no quê? De pronto, o governo acenou: por um período de 2 meses, haverá um desconto de R$ 0,46 por litro de diesel e a suspensão sobre esse combustível da carga tributária da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Embora, já ocorresse um “zum-zum” de que os motoristas não falavam em desmobilização, porém, já revelavam esgotamento, os caminhoneiros vociferaram: “Negativo, não aceitamos a oferta e vamos continuar com a paralisação”.

Temer, então, com o nó na garganta e sentindo um elevado atropelamento, lança a cartada definitiva: “Meus irmãos caminhoneiros, acabo de acertar com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, que na boca do túnel da Petrobras o diesel já sairá com desconto de 10%” e mais com a seguinte proposta: duas reduções sobre o diesel, sendo uma no Programa de Integração Social (PIS) e outra na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Os grevistas caminhoneiros aceitaram a proposta, porém, com o seguinte indicativo: “Queremos ver tudo isso direitinho publicado no Diário Oficial da União”. Dito e feito, a reconciliação foi consumada e os caminhoneiros retornaram a refregar por dias melhores. E o custo para debelar a greve quem pagará? À evidência, o contribuinte. São R$ 14,5 bilhões entre Cide, PIS e Cofins e R$ 350 milhões na parte da Petrobras.

No frigir dos ovos, uma bomba administrativa estourou: Pedro Parente, presidente da Petrobras, pediu demissão. Causa? Parente alega: “Ora, ver que a Petrobras assumia posição ímpar na Bolsa, que revertia os elevados prejuízos, que liquidava suas dívidas, que batia recordes de produção, inopinadamente, o governo cedeu às pressões, anunciando a redução do preço do diesel, espalhando estilhaços sobre a minha administração e, assim, quebrando a autonomia tão decantada por mim”. Realmente, Parente livre da ingerência populista levou a Petrobras a faturar um lucro de R$ 7 bilhões, somente no 1º trimestre. Então, indubitavelmente, a Petrobras foi utilizada como instrumento de uso político. Pedro Parente foi embora.

Então, tudo terminou bonitinho? Não. A Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) e a Confederação Agrícola e Pecuária do Brasil (CNA) vão questionar judicialmente a tabela de preço de frete, após o acordo com o governo.

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