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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "O professor e a incapacidade administrativa do prefeito"

Advogado

13 AGO 2015Por 00h:00

Campo Grande vive atualmente o pior de todos os momentos administrativos desde sua criação como município, ocorrida no final do Século XIX. O município está sob a gerência de um pastor evangélico manifestamente incapaz para o cargo de prefeito, que vem emperrando desastradamente a Administração Municipal em prejuízo dos munícipes. Lamentavelmente, em todos os quadrantes da cidade, assistimos atônitos a prova inconteste da falta de acuidade do prefeito municipal para gerir satisfatoriamente o destino de nossa amada Cidade Morena.

De tantos desmandos administrativos, aponto um dos mais graves: a deliberada disposição do prefeito em não cumprir a lei. O descumprimento da lei por parte do administrador municipal acarreta retrocesso ao crescimento urbano e social de uma cidade do porte de Campo Grande, que já está prestes a ter em seus quadrantes um milhão de moradores. Refiro-me ao direito dos professores municipais ao piso salarial integral determinado pela Lei nº 5.411/2014, obrigação que o prefeito municipal não quer cumprir deliberadamente. Após várias negociações entre ambas os lados – professores e município - não houve progresso algum em favor do professorado, mantendo-se o prefeito radicalmente indiferente ao justo reclamo dos mestres.

O resultado foi a eclosão da greve, que já perdura por mais de dois meses seguidos. Embora prejudicados pela indiferença do prefeito, a grande maioria dos professores em greve retornaram à sala de aula, continuando apenas um grupo reduzido a espera de atendimento à justa reivindicação. Fica no ar a postura nociva do prefeito frente ao dever de cumprimento da lei. O resultado está aí à vista de todos nós: alunos sem aula, que deixam o livro pela televisão, ou perambulam à toa pelas ruas, como já me reportei a essa mazela malvada, perpetrada pela incompetência da autoridade incapaz de equacionar uma questão já decidida pela lei.

De outro lado, cabe ilustrar a personalidade do professor, que representa um pai para o aluno, pois a escola é sem dúvida a continuidade do lar. Ele é um mestre de alta grandeza dentro da nação, que ensina desde as primeiras letras às matérias da mais alta complexidade. Ele faz o médico e o advogado, o engenheiro e o técnico, enfim é responsável por toda grandeza intelectual de um país.  Merece o respeito e a admiração de todos nós, que temos nele um elemento de nossa extremada confiança para educar nossos filhos.              

Me vem à memória o tempo em que viajava no antigo Ramal de Piracicaba, quando trabalhava no Correio. Pegava o trem de manhã cedinho, em torno das seis da manhã, quando um grande número de professoras seguiam o mesmo destino para dar aula nos vilarejos situados às margens da ferrovia. Elas iam descendo nas paradas de destino delas, levando a tiracolo suas pesadas mochilas carregadas de material escolar, sempre alegres e risonhas – era como uma revoada de esperança àqueles pobres moradores de um Brasil esquecido -. À tarde, quando eu voltava, elas iam subindo no trem em cada parada das vilas onde lecionavam, fazendo o percurso inverso. 

Li, não me lembro onde, que no Japão os professores são tidos como pessoas muito respeitadas. Segundo a notícia, o professor é o único profissional que não precisa se curvar diante do imperador. Algum curioso – certamente um brasileiro – perguntou se tal notícia era verdadeira. Em resposta, o interlocutor disse que não tinha certeza disso, mas o que existe de verdade é a frase do Imperador Hiroito: “Em uma terra onde não há professores, não pode haver imperador”.     
Consigno aqui meu modesto repúdio ao procedimento antijurídico do alcaide, esperando que ele não sonegue a lei em prejuízo dos professores, ou de qualquer outra categoria do funcionalismo público municipal. Ou então  renuncie ao cargo, como uma forma honrada de desfazer-se de uma missão para a qual não tem preparo intelectual.

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