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ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "O Carnaval vem aí"

Advogado

13 FEV 19 - 02h:00

Além da escravidão negra, o Carnaval foi introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses. A crônica carioca é repleta de fatos jocosos relacionados à presença da corte imperial portuguesa na capital federal, o antigo e fotogênico Rio de Janeiro. Segundo vários cronistas cariocas dignos de credibilidade, a pândega rolava solta nos quadrantes da “Cidade Maravilhosa”, quando autoridades portuguesas, assustadas com o vulto do lendário italiano Napoleão Bonaparte, temido general e imperador da França na época, praticavam atos imbecis de todo naipe, liderados pelo filho de D. João VI e Dona Maria Joaquina Carlota, o príncipe D. Pedro I, um playboy irresponsável, que “só pensava naquilo”, o qual, no auge da malandragem, declarou a independência da colônia. Imagine a pilantragem praticada durante mais de catorze anos pelos quinze mil súditos da coroa portuguesa vindos com D. João VI para a capital da colônia brasileira, até quando nosso amado Brasil se tornou um país independente.

Os portugueses, ao saírem do Brasil depois da declaração de independência da colônia, não deixaram para nós nenhum progresso humano ou material com que pudessem demonstrar o espírito cívico português dedicado aos habitantes da terra tupiniquim. Contrariamente a isto, deixaram aqui muitos maus costumes, como o jogo do bicho, a idolatria, as entidades pagãs, como o Carnaval por exemplo, a cartomancia, a corrupção etc. Nos legaram também uma língua boa de se  falar, mas que ainda não se firmou definitivamente como um idioma, pois nada mais é do que um dialeto muito vulgar derivado do galego espanhol – uma pobre colcha de retalhos de um vernáculo atualmente falado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo, que sofreu várias reformas ortográficas impostas por Portugal, as quais o governo brasileiro aquiesceu submisso, sem sopesar o fato de que elas são responsáveis mor pela grande evasão escolar no Brasil. 

Por sua vez, o Carnaval é um chamariz atrativo a milhões de jovens se perderem na voracidade da orgia, das drogas e do sexo – mazela humana que acontece com maior frequência no tríduo carnavalesco. Por outro ângulo, quão nefasto é o Carnaval para a economia nacional! Basta atentar-se aos índices publicados por entidades idôneas, como a Fecomércio paulista: os feriados geram à economia um prejuízo estimado em mais 60 bilhões de reais no ano. Dividindo-se este valor por doze feriados, em média, por ano, estima-se que, num único dia de feriado, o prejuízo atinge 5 bilhões de reais. Portanto, em três dias de feriado carnavalesco, o baque na economia pode chegar a mais de 15 bilhões de reais, o que bem demonstra a nocividade do Carnaval para a economia nacional.  

Oportuno refletir sobre a tragédia de Brumadinho, quando uma represa de minério de ferro rompeu-se fragorosamente, destruindo tudo pela frente. Nada sobrou! A avalanche apocalíptica de lama fez desaparecer, como num passe de mágica, vilas inteiras de ribeirinhos, instalações administrativas da empresa mineradora, animais, plantações, árvores frutíferas e muitos outros bens pertencentes aos humildes moradores na região. Pior: um assustador número de pessoas mortas no fragor da lama, que os engoliu como um monstro pré-histórico. Segundo os heroicos bombeiros, o número de mortos ultrapassou duzentas 200 pessoas, em duas semanas de buscas, estando desaparecidas outras cento e noventa – realmente, um cataclismo sinistro como o Armagedom.    

O povo brasileiro está de luto, e, assim, o cancelamento do Carnaval deste ano é medida de cunho cristão que se impõe, diante de tão grande sacrifício de vidas humanas. Não suportaremos ver o remelexo das nádegas de “foliões” indiferentes à maior tragédia humana brasileira, que ceifou a vida de pessoas indefesas entre velhos e crianças, que perderam a vida de forma trágica, o que exige a suspensão do Carnaval, em respeito à memória dos nossos pobres compatriotas mortos na lama.

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