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OPINIÃO

Gilson Cavalcanti Ricci: "O amor não é conceito, é prática"

Advogado

19 JUL 19 - 01h:00

O grande baluarte de defesa do Paraguai foi a monumental Fortaleza de Humaitá, à qual um historiador arguto apelidou de A Sebastopol Paraguaia, considerada inexpugnável por observadores militares europeus. Na verdade, Humaitá era uma colossal muralha de concreto e aço construída estrategicamente num entorno de 15 quilômetros lineares na margem direita do Rio Paraguai. Era artilhada com 200 canhões de fabricação paraguaia de vários calibres de aço, inclusive lá estava guarnecendo a formidável cidadela o célebre canhão Cristiano – obra-prima da indústria bélica paraguaia e o maior troféu de guerra do Exército Brasileiro. Além desse imenso poderio de armas, Humaitá aquartelava uma grande divisão do Exército paraguaio, constituída de 25 mil soldados de artilharia, infantaria e marinheiros, e ali o marechal Francisco Solano Lopez sediou seu quartel general, segundo fontes históricas registradas por importantes setores da historiografia da Guerra do Paraguai (Wikipédia).    

Ultrapassar aquela gigantesca montanha de concreto e aço, defensora da capital paraguaia, foi uma memorável façanha da Marinha de Guerra do Brasil, composta por uma esquadra de apenas 6 encouraçados de guerra fortemente artilhados, fato ocorrido no dia 25 de julho de 1868, sob o comando do Almirante Delfim Carlos de Carvalho, o qual foi agraciado por D. Pedro II  com o título de Barão da Passagem. Durante a travessia da esquadra defronte de Humaitá, houve uma assustadora reação dos infantes e marinheiros paraguaios estrategicamente postados no interior da fortaleza, ocasião em que os encouraçados brasileiros foram atingidos fragorosamente por avalanches de seguidos tiros de canhão, e arrasadoras cargas de metralha. 

Segundo consta nos anais da guerra, houve um cenário trágico, quando os encourados brasileiros bombardeavam implacavelmente a fortaleza a partir do meio do rio, e a resposta fulminante dos defensores de Humaitá, que conseguiram avariar quase toda a esquadra brasileira. No final do encarniçado combate naval-fluvial, calculou-se mais de 1200 mortos brasileiros, e 150 paraguaios, uma vez que estes lutavam fortemente protegidos pelos paredões de concreto e aço da fortaleza, o que constituía um excelente abrigo aos atiradores, enquanto os brasileiros lutavam em campo aberto no meio do rio, o que constituiu um excelente alvo para as baterias paraguaias. 

Depois do rompimento de Humaitá, o Paraguai abriu-se ao exército brasileiro, favorecendo o prosseguimento da guerra dentro do território paraguaio sob comando brasileiro, uma vez que o presidente Mitre se retirou definitivamente da guerra, face a tensa situação política em Buenos Aires, por diversos fatores contrários à política do referido presidente, notadamente contra a permanência da Argentina na “Guerra De La Tríplice Alianza”, diante do grande número de soldados argentinos mortos na Batalha de Curupaiti, vencida fragorosamente pelo exército paraguaio. Vencida Humaitá, os brasileiros invadiram seu interior, e capturaram muitos de seus defensores, enquanto mais da metade deles conseguiu recuar até Assunção por uma estrada estrategicamente construída no meio do cerrado para tal finalidade. Na Europa, a batalha naval-fluvial de Humaitá foi comparada à Batalha de Trafalgar, travada entre esquadras navais francesas e britânicas, diante da colossal resistência paraguaia postada eficientemente no interior da grandiosa fortaleza, e a afoita insistência da esquadra brasileira em romper tão formidável cidadela de guerra, com apenas meia dúzia de pequenos navios.    

A batalha repercutiu na imprensa mundial da época. Em edição especial, o jornal Buenos Aires Standard, editado na Europa, escreveu: ”O som dos canhões dos encouraçados brasileiros tem ecoado sobre o continente sul-americano, e vai reverberar por toda a Europa, uma vez que conseguiram forçar a passagem de Humaitá com sucesso. Nenhum evento de igual importância ocorreu naquela parte do mundo, durante a atual geração; e, para grande honra da bandeira brasileira, deve ser dito que a vitória naval alcançada é digna de comparação com Aboukir ou Trafalgar - o Brasil fez jus à honra recebida”. 

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