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OPINIÃO

Gilson Cavalcanti Ricci: "Homenagens aos heróis da FEB"

16 MAI 19 - 01h:00

Há setenta e quatro anos ocorreu o fim da 2ª Guerra Mundial. O Brasil foi atacado à traição por submarinos alemães e italianos, os quais assassinaram em alto-mar milhares de brasileiros inocentes ao torpedearem 23 navios mercantes, razão pela qual enviou para o fronte a heroica Força Expedicionária Brasileira, com um contingente superior a 25 mil soldados, os quais escreveram com o próprio sangue páginas épicas nos campos nevados dos Apeninos, na Itália.

Ainda menino, vi na estação da Noroeste do Brasil os pracinhas de Campo Grande seguirem para a guerra cantando canções de louvor ao Brasil! Foram momentos de grande consternação popular, pois aqueles jovens, em pleno vigor da juventude, seguiam a um rumo incógnito, sem a certeza de retorno a seus lares. Mães e esposas choravam aflitas e rezavam pela volta de seus entes queridos enquanto a soldadesca embarcada acenava das janelas do trem e gritava slogans patrióticos.

A FEB não tinha apenas a incumbência de ajudar os países aliados a combaterem os alemães nazistas e os italianos fascistas. Tinha, sobretudo, a honra de lutar em desagravo à memória de milhares de brasileiros vitimados pelos torpedos traiçoeiros dos submarinos nazifascistas, ocultos sob as águas do mar, que afundaram navios desarmados e mataram seus passageiros indefesos, entre os quais crianças, mulheres e velhos!

Finda a guerra, a volta dos nossos heróis foi de alegria para uns e amargura para outros. Na plataforma da estação, os pracinhas desciam do trem ante a saudação frenética da multidão. Os familiares aguardavam ansiosos o filho descer à plataforma, e, ao identificá-lo, corriam a seu encontro, numa comovente recepção.

Algumas famílias não tiveram a mesma sorte. Aguardavam até o último pracinha descer dos vagões, mas não tinham a felicidade de abraçar o ente querido. Neste triste momento, não escondiam o desespero e choravam copiosamente. Era de cortar o coração! 

No fragor da guerra, os soldados brasileiros demonstraram valentia e coragem, vencendo um inimigo acuado, tenaz e numeroso. Sobretudo, altamente preparado em homens e sofisticado em armamento bélico. No cumprimento da sagrada missão de defender a Pátria Amada, os bravos pracinhas brasileiros libertaram bravamente várias cidades do norte italiano, como Monte Castelo e Montese – cidadelas fortemente defendidas por fanático contingente de soldados alemães e italianos, os quais, lutando no campo da honra, cobraram muito caro dos vencedores brasileiros o preço da vitória.

Numa demonstração épica de valor, coragem e disciplina, os valentes soldados de Caxias, em 239 dias de combates numa marcha exaustiva de 750 quilômetros sobre a neve inclemente, fizeram 20.573 prisioneiros de guerra alemães e italianos da 148ª Divisão Panzergrenadier alemã e da 1ª Divisão Bersaglieri italiana, sendo dois generais, 892 oficiais e 19.679 praças. Os brasileiros amargaram a perda de perto de 3.000 mil soldados, entre finados e feridos, além de 8 pilotos da FAB mortos em combates aéreos. 

Neste instante, lembro-me que o povo de Campo Grande presta singela homenagem a nove bravos pracinhas sul-mato-grossenses mortos na 2ª Guerra Mundial. Eis os nomes sagrados desses bravos compatriotas imolados no Altar da Pátria: soldado ALCEBÍADES BODADILHA DA CUNHA, morto em 07/11/44; soldado BERNARDINO DA SILVA, morto em 22/04/45; soldado GREGÓRIO VILALVA, morto em 22/11/44; soldado HUGO GONÇALVES, morto em 22/12/44; soldado JOÃO MARIA DA SILVEIRA MARQUES, morto em 22/11/44; soldado SEBASTIÃO RIBEIRO, morto em 31/10/44; soldado SEMEÃO FERNANDES, morto em 14/10/44; soldado TEODORO SATIVA, morto em 02/05/45; soldado TOMÁS MACHADO, morto em 25/04/45; e soldado WALDEMAR MARCELINO DOS SANTOS, morto em 01/11/44.

É um momento de grande emoção estar diante daquele humílimo monumento em homenagem a um punhado de conterrâneos nossos que não fugiram ao dever de defender a Pátria com o sacrifício da própria vida. Sugiro ao leitor colocar um ramalhete na laje de mármore à frente do Museu da FEB, na Avenida Afonso Pena, 2.270, donde funcionava o antigo Quartel General da 9ª Região Militar. 

A Pátria agradecerá!

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