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Campo Grande - MS, quarta, 19 de dezembro de 2018

OPINIÃO

Gilberto Verardo: "Saúde"

6 DEZ 2018Por 01h:00

Antigamente quando alguém espirrava ao lado logo se ouvia – saúde! Era uma cultura de saúde mesmo. Hoje em dia a pessoa que espirra, ao lado é silencio e certo temor de contrair algum tipo de vírus gripal. É a cultura de doença.

Se você tiver a curiosidade de dar uma olhada nos manuais internacionais de doenças – CID11 –(A CID é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo e contém cerca de 60 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte) e DSM-IX (área mental), por exemplo, vai encontrar alguns de seus sintomas lá. Isso é cultura de doença. Manuais de cultura a saúde, talvez encontre.

Mais recentemente, em entrevistas, é que se observam médicos falarem em fatores de prevenção a saúde, mas terminam com seu recado final – mas não deixe de consultar o seu médico. Às vezes penso que a saúde está relacionada a quanto você tem no bolso. O atendimento também. Apesar da classe medica insistir no modelo hospitalocentrico, não arrumaram tempo para por as superbactérias numa UTI, desafiando o trabalho de cirurgiões e infectologistas. Tem sacaneado muitos protocolos médicos bem intencionados clinicamente. A quem interessa manter esse tipo de coisa? Para ser mais elegante – esse modelo em saúde assentado na busca de sintomas para em seguida consultar os manuais? Será que a cultura da doença dá mais poder e dinheiro em tudo que a envolve? Claro que sim. A saúde virou um saco sem fundo. O pai da medicina, Hipócrates, dizia a seus alunos gregos e helenos “Para curar o corpo é necessário ter-se um conhecimento das coisas como um todo”.  Naquela época a medicina evoluiu tanto que ainda repercute nos dias atuais. Na busca por maior compreensão e aprimoramento da sua pratica, as especializações médicas garantiram seu mercado de trabalho, mantendo o status de senhor Da saúde humana, porem os problemas evoluíram.

Lembro-me da Dra. Marila Teodorowic, campo-grandense e filha de bons e disciplinados poloneses, que se formando em medicina fez aprimoramento profissional na terra natal de seus pais. Retorna psicanalista e autoridade em medicina psicossomática, para mais tarde ser uma das professoras de destaque na 1ª turma de Psicologia da antiga FUCMT (1975-1980). Tive o prazer de estar nessa turma. Seu potencial nunca foi devidamente aproveitado. Por quê? 

Talvez a pior faceta dessa crise na saúde é afetar os ouvidos de quem tem poder decisório. Bons e competentes no assunto existem, mas como não são encontrados? Possivelmente são repelidos pelo brilho da vaidade politica, onde são acometidos de Síndrome de Plateia. Pelo menos há algum alento. Os médicos Mandetta e Luiz Ovando estarão no centro do poder decisório e, até onde sei, gostam da ideia psicossomática e multiprofissional na saúde, publica e privada. Mais animador é não terem uma ética corporativista e ter consultado informações e conhecimento que os direcionaram ao futuro, pois souberam sentir na pele o esgotamento do atual modelo em saúde (doença) centrado figura do medico tão somete. Quem queria a hegemonia da saúde humana, agora, pelo fracasso do modelo biomédico, precisa reconhecer os equívocos metodológicos da sua pratica, resgatando a humildade de Hipócrates. Afinal, até hoje os formandos fazem juramento perante sua alma intelectual.

Que se danem os novatos vou citar, para concluir este texto rebelado com um antigo, Sócrates “... assim como não é possível tentar a cura dos olhos sem a da cabeça, nem a da cabeça sem a do corpo, do mesmo modo não é possível tratar do corpo sem cuidar da alma, sendo essa a causa de muitas doenças desafiarem o tratamento dos médicos helenos, por desconhecerem que o conjunto é que importa ser tratado...”.
Que me perdoem os pentecostais e os neos, mas a alma a que se refere Sócrates naquele tempo era o mesmo que psique hoje. Tá passando da hora de debater seriamente esse assunto e não ficar só nos sintomas (repasse, pessoal, verba federal, estadual, etc..) ou nas cansativas explicações. Debates e reflexões podem me convidar!

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