Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

ARTIGO

Giancarlo Corrêa Miranda: "Tempos de violência"

Bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão em Segurança, escrivão da Polícia Civil e presidente do Sinpol/MS

3 AGO 2017Por 02h:00

O mês de julho antecipou o de agosto na fama de “cachorro louco” em Campo Grande e no Brasil, ao ponto em que diversos crimes horrendos ocorreram e a sensação da sociedade é de pura catarse, ou seja, a apatia se mostra no ar. Assim como na corrupção, que assola o Brasil inteiro com intensidade cada vez maior e não leva o povo brasileiro às ruas como outrora, a violência tem se tornado tão recorrente que as pessoas apenas têm lamentado, e não se indignado.

O ex-vereador Silveira e a esposa, o menino Kauan, a musicista Mayara, dois homens executados e o motorista do Uber gravemente ferido são exemplos de violência extrema, crimes que contêm mais da metade das tipificações do Código Penal brasileiro. Algo está errado, não se pode admitir a repetição de tragédias como estas. Está na hora de exigir uma resposta do poder público à altura. E essa reposta começa pela sociedade, pedindo providências, há a necessidade de mais estrutura para a segurança pública, com polícias equipadas e policiais motivados, há o desafio da educação permanente e da saúde de qualidade, da mesma forma que as oportunidades de trabalho devem ser concedidas de forma igualitária.

Também, de nada adianta a punição generalizada, entupindo presídios que se cursam a universidade do crime, onde se entra como um simples ladrão de bicicletas e sai um latrocida envolvido com uma gama de criminosos, como em uma rede social. Por outro norte, não se pode banalizar que bandido bom é bandido morto, na fala de que só se pode vingar com sangue, obviamente, os crimes estarrecedores causam, principalmente aos mais próximos das vítimas, essa sensação. É necessário ir além, tocar na “ferida”, primeiramente deve-se garantir a incomunicabilidade dos presos com o mundo externo e, depois, realmente haver o trabalho de ressocialização, pois não se esqueça que, como não há pena de morte no Brasil, um dia aquele que está preso retorna ao bojo da sociedade, e é melhor alguém ressocializado do que um versado no mundo do crime.

Se não buscarmos uma saída, não há o que fazer, pois a violência já invadiu a nossa casa e nos atingiu. Chegou a hora do basta, das pessoas de bem se unirem pelo estado brasileiro e negarem a crise moral. Se faltam exemplos de virtudes na política e no noticiário brasileiro, então sejamos nós esse exemplo, para nossos filhos e as futuras gerações.

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