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ARTIGO

Fausto Matto Grosso: "Até quando?"

Engenheiro civil e professor aposentado da UFMS

13 AGO 19 - 02h:00

O mandato do presidente Bolsonaro vai até 31 de dezembro de 2022. Por mais que muitos o odeiem, ninguém poderá tirá-lo do poder a não ser ele mesmo, por seus atos ou omissões. Por que então, veladamente, tantos se perguntam, até quando ele se aguenta?

Um governo tem de, entre acerto e erros, apresentar sempre um balanço minimamente positivo. 

O economista chileno Carlos Matus, em seu clássico “Estratégias Políticas”, indicava que o balanço geral de governo deve ter três componentes fundamentais – o macroeconômico, o político e o da solução dos problemas sentidos pela população. 

Na esfera macroeconômica, o governo não apresenta resultados satisfatórios. A previsão da taxa de crescimento do PIB para 2019 chegou a 0,81%, após 20 reduções consecutivas. A inflação deve chegar a 3,89% este ano, a menor desde maio de 2006, revelando uma grande redução do consumo das famílias.

A taxa básica de juros deve encerrar o ano em 5,50%, com viés de alta para os próximos dois anos.

A cotação do dólar saltou para 4,10 reais, acumulando a maior alta semanal desde agosto do ano passado. Quando o dólar sobe, facilita a vida dos nossos exportadores e também poderia atrair mais investimento estrangeiro. Mas a política externa do presidente Bolsonaro, de total alinhamento com os EUA, cria problemas para o País, especialmente em relação à China, nosso maior mercado comprador e com grande potencial de investimento.

Diante desse quadro macroeconômico, o próprio presidente do Banco Central afirmou que sua única certeza é de que o crescimento econômico do Brasil será muito baixo, acompanhando também todas as economias do planeta. É por essa razão que as expectativas dos analistas de mercado e investidores com relação ao desempenho da economia brasileira, mesmo com uma alvissareira aprovação da reforma da Previdência, são pessimistas ou moderadas.

No aspecto político Bolsonaro também não se sai bem. Eleito em um partido de ocasião, não conseguiu até agora formar base estável no Congresso Nacional. Isso o tem levado a perder protagonismo político, inclusive no caso do seu principal projeto estratégico, que é o da reforma da Previdência. Todo o mérito é atribuído à Câmara dos Deputados e ao seu presidente Rodrigo Maia. Na relação com o Judiciário, colhe sucessivas derrotas, como, por exemplo, quanto à reedição de medidas provisórias derrotadas. 

Na política interna do governo predomina o conflito com as áreas técnicas, interferindo de maneira ditatorial e imprudente. Sua solução para esses conflitos é a pressão, a desqualificação, a destituição e a substituição por gente alinhada ao seu viés ideológico. 

Na relação política com a sociedade, o estilo Bolsonaro é baseado no conflito permanente. Voluntarista, desconstrói perigosamente a sua base eleitoral. É bom lembrar que a sua surpreendente votação foi circunstancial, pois, pelos menos, um terço dos seus votos foi dado contra o candidato do PT. 

Por fim, vai mal também na solução dos problemas que afetam a população. A mais recente pesquisa de opinião, contratada pela Confederação Nacional da Indústria, aponta que os principais problemas sentidos pela população são: desemprego (56%), corrupção (55%), saúde (47%) e segurança pública (38%). 

 A falta de resultados positivos nessas áreas de interesse público é medida pelas últimas pesquisas de opinião, que mostram que o presidente está mal. Tem menos apoio, nesse primeiro semestre, do que seus antecessores Collor, Sarney, Fernando Henrique, Lula e Dilma em idênticos períodos. Atualmente, suas ações polêmicas visam garantir o apoio do terço dos seus eleitores incondicionais. Mas até para isso tem de mostrar resultados. 

A sobrevivência de Bolsonaro está em suas mãos. Infelizmente não elegemos um estadista, mas um boquirroto despreparado para o cargo. Mas, enfim, o Brasil sobreviverá, mesmo pagando um alto preço. Quanto ao presidente, essa é a grande dúvida. Quosque tandem? 

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