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ARTIGO

Fausto Matto Grosso: "20 anos atrás"

Ex-secretário estadual de Planejamento, Ciência e Tecnologia de MS
03/12/2019 02:00 -


Vinte anos atrás, nosso estado viveu um momento de ineditismo. Pela primeira vez, após a redemocratização, foi eleito um governador de esquerda no Brasil. Tratava-se de um momento de esgotamento da política tradicional que aqui vinha opondo pedrossianismo e peemedebismo. Venceu a eleição um improvável candidato, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, liderando uma frente eleitoral com o PT, PDT, PPS, PSB e PCdoB, que contou com o apoio de Pedrossian no segundo turno.

Para conquistar e manter o poder, ensina a teoria política, são necessários dois predicados: a liderança intelectual e a liderança moral.  A moral tinha sido atribuída pelas urnas recém-conquistadas. Era necessário apenas alongar o seu prazo de validade. Para o desafio da construção da liderança intelectual, era necessário construir um programa político, amplamente agregador, para promover a coesão do novo bloco político formado na sociedade. 

Esse foi o papel atribuído ao Plano MS 2020 – Cenários e Estratégias de Longo Prazo para Mato Grosso do Sul.
Cenários são fotografias, possíveis, do futuro. São obtidos por combinações de hipóteses sobre as incertezas. Servem para orientar a tomada de decisões no presente, tendo em vista um futuro desejado. 

Em 1999, foram desenhados quatro cenários possíveis para MS em 2020. O Cenário Vôo do Tuiuiú tinha como idéia força o desenvolvimento com integração na economia global, apoiado em um projeto social-liberal; o Cenário Piracema de desenvolvimento com inclusão social como resultado de um projeto social-reformista; o Cenário Rapto do Predador, caracterizado pelo crescimento excludente, resultante de uma política liberal; e o Estouro da Boiada, caracterizado por instabilidade e crise econômica, social e ambiental, o pior dos mundos, resultado de uma descontinuidade crônica de projeto político.

Os quatro cenários foram submetidos à análise de suporte político da sociedade. O Vôo do Tuiuiú tinha apoio majoritário dos atores sociais. O Piracema era o com segundo maior apoio. Vivíamos nacionalmente a hegemonia do PSDB de Fernando Henrique, mas aqui fora vencedora uma coligação de esquerda. Estava posto o dilema da governabilidade e da responsabilidade política. A opção foi a escolha de uma visão de futuro, construída a partir dos pontos convergência entre esses dois cenários de maior aprovação. 

Nosso horizonte utópico, ou visão de futuro foi definida como: “Em 2020  Mato Grosso do Sul será uma sociedade integrada, com justiça social, alicerçada numa economia competitiva em bases tecnológicas modernas e ambientalmente sustentáveis, num quadro político de governabilidade e elevada competência gerencial”. Assim foi definido destino a ser perseguido, afinal, como ensinava Drucker “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”.

A partir dessa visão de futuro, foram definidas as opções estratégicas, as macro-prioridades, os objetivos e estratégias. Consolidando essas orientações, foi elaborada uma Carteira de Projetos. 

Em complementação, o plano estratégico foi rebatido em oito regiões de planejamento com seus respectivos planos estratégicos regionais, submetidos ao controle de oitos Conselhos Regionais de Desenvolvimento. A elaboração do Plano MS 2020 passou por cada um dos 75 municípios existentes na época. 

No primeiro governo Zeca, o MS 2020 foi uma espécie de cartão de visitas, principalmente quando se falava para investidores, para embaixadores, para visitante ilustres e até quando se falava no exterior.  A propósito, em uma reunião com empresários em São Paulo, o ex-presidente da FIESP, Mário Amato, que havia ameaçado ir para o exterior no caso de uma eventual vitória de Lula, para surpresa geral, afirmou que se o PT fosse o governador de MS, ele o apoiaria para a presidência da República. 

Mas, nem tudo eram rosas. No interior do próprio governo o MS 2020 não era tão unânime assim. Com o fim da aliança política do primeiro governo, o Plano acabou perdendo muito do seu patrocínio.

Felpuda


Considerados “traíras” por terem abandonado o barco diante dos indícios da chegada da borrasca à antiga liderança, alguns pré-candidatos terão de se esforçar para escapar da, digamos assim, vingança, velha conhecida da dita figurinha. Dizem por aí que há promessas nesse sentido, para que os resultados dos “vira-casacas” nas urnas sejam pífios. Sabe aquela velha máxima: “Pisa. Mas, quando eu levantar, corre!” Pois é...