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ARTIGO

Fausto Mato Grosso: "Nobel da Paz bem escolhido"

Professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

21 OUT 19 - 02h:00

O primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali foi agraciado com o Nobel da Paz, vencendo a disputa com 301 candidatos, sendo 223 personalidades e 78 organizações. 

A lista completa dos candidatos é reservada, por 50 anos, mas entre as personalidades indicadas estavam a jovem ativista ambiental Greta Thunberg e dois brasileiros, o Cacique Raoni e o ex-presidente Lula.

Desde 1901, o Nobel da Paz tem sido atribuído, segundo o critério deixado no testamento do seu idealizador, às pessoas que “fizeram o melhor ou o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela realização e promoção de congressos de paz”.

Atualmente se entende como paz não apenas a ausência da guerra, mas a existência de sociedades pacíficas e inclusivas (ODS-ONU). Desta forma, o prêmio tem sido atribuído também para ativistas, personalidades e instituições que se empenham pelos direitos humanos, contra a pobreza, pela defesa do meio ambiente, entre outros. Por conta de sua natureza política, o Prêmio Nobel da Paz tem sido sempre objeto de inúmeras controvérsias.

A Etiópia, país do último premiado, compõe com a Eritreia, o Djibuti e a Somália a região chamada de Chifre da África, que margeia o Mar Vermelho pelo lado oeste. É, portanto, uma região estratégica por conta das rotas do petróleo e, por muitos anos, foi disputada por americanos e soviéticos, sendo palco de inúmeros conflitos armados locais.

A Etiópia de Abiy Ahmed é um dos sítios mais antigos da existência humana, sendo considerando por cientistas o lugar em que o Homo sapiens se originou. Foi reino da Rainha de Sabá que, segundo passagens bíblicas, foi seduzida e engravidada pelo rei Salomão, iniciando assim a linhagem dos seus imperadores até Haile Selassie  que reinou até 1974.

Tem uma tradição de independência. Quando o continente africano foi dividido entre as potências europeias na Conferência de Berlim (1885), a Etiópia foi um dos três países africanos que mantiveram sua independência. A nação foi membro da Liga das Nações após a Primeira Guerra e, após um breve período de ocupação italiana, tornou-se membro das Nações Unidas, após a Segunda Guerra. 

Conhecida no Ocidente como Abissínia, com a separação da província da Eritréia, a Etiópia virou um país interior, sem saída para o mar, uma das razões da guerra entre os dois países.

É nesse contexto que surge o líder Abiy Ahmed Ali. Engenheiro de computação por formação, ingressou ainda jovem no grupo armado que forçou a queda do ditador Mengistu, que havia derrubado o Imperador Haile Selassie em 1974. Posteriormente, entrou no Exército, onde realizou tarefas de comunicação e inteligência cibernética.

Abiy Ahmed Ali, em abril de 2018, foi eleito primeiro-ministro da Etiópia, tendo se dedicado desde então à efetivação de um acordo de paz com a Eritreia, encerrando uma guerra de duas décadas. Notabilizou-se também pela mediação no processo de transição no Sudão, que levou este ano a um acordo entre civis e militares.

Considerado um líder carismático e reformista, iniciou uma verdadeira revolução democrática em seu país. Concedeu anistia a dissidentes políticos, libertou jornalistas encarcerados, nomeou mulheres para 50% dos cargos de seu gabinete e encabeçou a campanha para o plantio de 350 milhões de árvores na Etiópia. Apoiou para a presidência do país Sahle-Work Zewde, a única mulher chefa de Estado na África.

A premiação de líder etíope é um forte incentivo para a pacificação dessa região da África. A jovem ativista ambiental Greta Thunberg, com seus 16 anos, tem tempo para esperar. O Cacique Raoni, prestes a completar 90 anos, já teve a sua nova candidatura lançada para 2020, pela Fundação Darcy Ribeiro.

Quanto ao ex-presidente Lula, com inegáveis méritos relativos à inclusão social durante seu governo, não conseguiu repetir Mandela, prisioneiro político que emocionou o mundo.

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