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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste sábado: "Cassação popular"

29 AGO 15 - 00h:00

A cassação popular é praticamente certa. Estamos a pouco mais de um ano das eleições municipais, e o eleitor nunca esteve tão atento às atitudes e aos passos dados pelos políticos

Desdobramento da Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, a Operação Coffee Break, desencadeada na terça-feira (18) e que resultou no afastamento do prefeito Gilmar Olarte e do presidente da Câmara Mário César, e na condução coercitiva ao Grupo Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual de mais oito vereadores, está caminhando para novo desdobramento: a cassação de vereadores envolvidos no suposto esquema de compra de votos para tirar, no ano passado, o mandato do atual prefeito, Alcides Bernal, reconduzido ao cargo na última terça-feira por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

O Ministério Público Estadual já encaminhou todos os documentos da operação à Câmara e, conforme verificado pelos promotores de Justiça, há evidências de quebra de decoro parlamentar por parte dos vereadores. Provas que poderão resultar em cassação, em julgamento político. Esta possíveis cassações são uma possibilidade, e dependerão de comissões processantes e de votações em plenário.

Há, entretanto, uma forma de cassação que é praticamente certa: a popular. Estamos a pouco mais de um ano das eleições municipais, e o eleitor, que nunca esteve tão atento às atitudes e passos dados pelos políticos no desempenho de seus mandatos, tem tudo para dar o troco. Se a Justiça, ou os pares dos vereadores envolvidos não os cassarem, certamento o povo não os dará uma nova chance nas eleições do ano que vem.

Primeiramente porque é imperdoável para o eleitor, o político receber propina, ou qualquer outro tipo de vantagem para comprar votos, ou para desempenhar qualquer outro ato que desrespeite à lei.

O cidadão brasileiro está cansado do tratamento, nada recíproco, que recebe dos políticos. Enquanto as pessoas honestas depositam nas urnas a esperança de que os políticos atuarão no exercício de seus mandatos com a mesma vontade de trabalhar e honestidade que estas pessoas desempenham em seu cotidiano, os escândalos que se multiplicam são a prova da traição de nossos representantes a os que os colocaram em seus cargos eletivos.

Este cansaço da população com os políticos já é visto facilmente nas ruas. Ele é visto na forma de protestos, que desde 2013 só aumentam, e por formas de manifestar a indignação, como a divulgação de painéis publicitários nas ruas estampando o rosto dos parlamentares que não atuam em defesa da maioria dos cidadãos.

A cobrança popular está cada vez maior, e é bom que os políticos entendam o recado das ruas, das redes sociais e de outras formas de outros meios utilizados para demonstrar indignação. O clamor por mais transparência, moralidade e por mais atuação nas causas que realmente importam é cada vez maior. O vereador, deputado ou senador que quiser manter seu mandato pela vontade popular, é bom entender a lição que vem das ruas.

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