terça, 17 de julho de 2018

CORREIO DO ESTADO

Editorial deste sábado: "Até quando?"

8 AGO 2015Por 00h:00

As sonoras e vigorosas vaias ao prefeito Gilmar Olarte na Feira Central, na última quinta-feira pedindo a sua saída do cargo são o termômetro da insatisfação da população, e mostra um problema cada vez mais difícil para ele resolver. 

Sem pagar fornecedores e empreiteiras desde o mês de maio, e atrasando salários de servidores pela primeira vez em duas décadas, a prefeitura de Campo Grande entra no mês de agosto em estado lastimável. Não só em suas contas, cujo reflexo da penúria pode ser notado na escassez de serviços públicos, infraestrutura deficiente e falta de investimentos, mas também em sua gestão, cada vez mais atrapalhada diante de um cenário que só se agrava.

As sonoras e vigorosas vaias ao prefeito Gilmar Olarte na abertura do Festival do Sobá na Feira Central, na noite da última quinta-feira pedindo a sua saída do cargo são o termômetro da insatisfação da população, e mostra um problema cada vez mais difícil para ele resolver.

Com receita cada vez menor, e despesas cada vez maiores, a prefeitura caminha para o colapso. Não é de hoje que o alerta vem sendo feito. Há pouco menos de 1 ano publicamos as primeiras reportagens demonstrando a necessidade de o prefeito cortar gastos com folha de pagamento, sobretudo com funcionários comissionados, para equilibrar as contas do município. O dinheiro gasto com todos estes funcionários contratados sem necessidade, que o prefeito prometeu cortar (até hoje não provou um corte consistente na folha) está fazendo falta agora. Muita falta.

Não há recursos suficientes para pagar todos os salários do mês passado dos servidores públicos até o quinto dia útil deste mês. Também não há nenhuma previsão de que a prefeitura terá fôlego para retomar o pagamento em dia da remuneração de seus servidores, nem tampouco do pagamento do 13º salário.

São os funcionários de carreira do município que estão pagando pela contratação de um exército de comissionados no último ano.

O cenário também não está nada fácil para os fornecedores. A Operação Tapa-Buraco perdeu força. As empreiteiras não recebem desde o mês de maio e a manutenção das vias só existe porque estas empresas têm de manter seus milionários contratos com o município. Outras obras de infraestrutura também 
estão emperradas.

No setor da saúde o caos nos postos de saúde que realizam atendimento de urgência e emergência é assunto frequente do noticiário, longe de uma solução, ainda mais neste período em que não se vê saída em praticamente nenhum setor da administração municipal.

Para piorar tudo, ainda há uma crise econômica e política em nível nacional, que só agrava o momento complicado pelo qual passa o município de Campo Grande.

O problema que começou com a irresponsabilidade do ex-prefeito cassado Alcides Bernal, agravou-se com a imprudência do atual mandatário Gilmar Olarte, que não fez os ajustes necessários quando era possível. Nos resta saber, agora, até quando a cidade continuará caminhando rumo ao colapso. A triste constatação, é de que ainda não chegamos ao fundo do poço.

 

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