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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Dramalhão político"

23 AGO 15 - 00h:00

Na pretensa renovação de gestão na Capital, os escândalos são maiores que as ações de trabalho. A atual administração trabalha com olho na Justiça e outro nas contas.

Desde 2013, a população de Campo Grande é testemunha de um dos episódios mais infelizes da história política da cidade: iniciada com a eleição de Alcides Bernal, em 2012 e ainda sem desfecho, faltando pouco mais de um ano para a próxima disputa à prefeitura. Tempo perdido, com estagnação na cidade, à espera da solução de quem iria permanecer no comando do Executivo municipal. Agora, decisão do Supremo Tribunal Federal deve influenciar julgamento que ainda irá ocorrer no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e encerrar de vez as pretensões de Bernal de retornar ao cargo. Pelo menos, parte do drama encerra-se, mas ainda restam outros capítulos.

Na decisão do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STF, negou seguimento do recurso contra decisão do TJ-MS, de maio de 2014. Naquele período, o tribunal havia cassado decisão de primeira instância, que permitia a Alcides Bernal voltar ao cargo de prefeito de Campo Grande, o que aconteceu por período de oito horas. Nesse curto espaço de tempo, o prédio da prefeitura foi invadido por aliados de Bernal e há acusações de que muitos processos licitatórios foram destruídos.

O que o TJ-MS definiu em caráter liminar e foi mantido pelo STF, terá o mérito julgado no dia 25 de agosto, véspera do aniversário da cidade. A tendência é que se mantenha o que foi determinado na liminar e, agora, com aval do supremo.

Infelizmente, ainda não é o fim da história. Depois da cassação de Bernal, a turbulência política manteve-se com o sucessor, Gilmar Olarte. Assim como no resto do País, a gestão foi afetada pelos efeitos da crise econômica e tenta readequar as contas para manter o equilívrio financeiro. Porém, some-se a isso a extensa lista de comissionados e inexperiência no comando, o que resulta no caos que a cidade passa.

Pela primeira vez em décadas, os servidores públicos do município deixaram de receber os salários no primeiro dia útil. O fato isolado não chega a ser problema de grandes proporções, apenas caso de readequação. Porém, logo em seguida, o baque: escalonamento de pagamentos, em cronograma que se segue até o fim do mês aí, sim, afetando o planejamento familiar do funcionalismo. 

Agora, Olarte enfrenta ação em que é acusado de corrupção e comissão processante aberta na Câmara de Vereadores em consequência do processo penal. Na última semana, durante sessão na Casa de Leis, defensores e opositores do prefeito protagonizaram lamentáveis cenas de baixarias, com direito a agressão entre líder comunitário e vereador.  Na pretensa renovação de gestão na Capital, os escândalos são maiores que as ações de trabalho.

A atual administração trabalha com olho na Justiça e outro nas contas, tentando economizar e manter-se no que preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Na lista de prioriedades, não estão conclusão de obras ou melhorias no que já foi implementado, estagnação justificada também na falta de repasses federais e, claro, escassez de recursos próprios. Até que o próximo prefeito seja eleito, a cidade continuará navegando na incerteza. Os eleitores vão às urnas mais amargos e céticos, pesando com cuidado os prós e contras de cada candidato e proposta. E que a drama acabe aí.

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