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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo:
"Silêncio ensurdecedor"

30 AGO 15 - 00h:00

A ausência sentida neste conflito entre índios e fazendeiros, em Antônio João, é justamente de quem mais poderia agir para que ele cessasse: o governo federal

O conflito por terras que envolvem índios e fazendeiros em Antônio João, na fronteira com o Paraguai, já dura mais de uma semana e a cada dia se agrava, como é possível perceber na cobertura que o Correio do Estado faz do episódio. 

Entidades que representam os dois lados da disputa, a Federação de Agricultura e Pecurária de Mato Grosso do Sul (Famasul) e o Conselho Indigenista Missionário da Igreja Católica (Cimi), já se manifestaram e saíram em defesa de seus aliados.

Em Antônio João, proprietários das cinco fazendas invadidas e os mais de mil índios que estão na região, próximo ao distrito de Campestre, a cada dia, se armam mais, para as novas e iminentes batalhas de uma guerra que já dura décadas.

A ausência sentida neste conflito é justamente de quem mais poderia agir para que ele cessasse: o governo federal. Enquanto os ânimos se acirram em Antônio João, ainda não houve um pronunciamento sequer do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nem tampouco dos representantes de sua pasta no Estado, no caso, a Fundação Nacional do Índio (Funai).

A Polícia Federal, que é a instituição que, por ofício deve atuar nos conflitos indígenas, pouco pode fazer em razão de seu efetivo escasso. O órgão, que atua em várias frentes, como combate à corrupção e ao narcotráfico, limita-se a “monitorar” o conflito com seu serviço de inteligência.

Para manter o pouco da ordem que ainda existe no município, distante 282 quilômetros da Capital, quem age para evitar mortos e feridos na tensa disputa por terras é o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), vinculado à Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e a Força Nacional de Segurança, que, finalmente, depois de uma semana de espera, chegou ontem às fazendas invadidas.

O índio, tutelado pela União, e os proprietários de terra, que usam como principal argumento no embate o direito à propriedade, estão abandonados por seu principal mediador. Este conflito no interior de Mato Grosso do Sul é mais um exemplo da desorganização do governo federal, que lida com as demandas de seus cidadãos na fronteira da mesma maneira desastrosa que atua na economia: ampliando uma crise que poderia atuar para mitigá-la. 

Quando o Estado se omite, o risco de fazendeiros e indígenas promoverem a justiça com as próprias mãos se intensifica. Em um momento crítico como este, as decisões devem ser tomadas de forma rápida e objetiva.

É preciso que o Ministério da Justiça apareça e proponha uma solução e, ainda, é necessário que a Justiça julgue rapidamente os pedidos de reintegração de posse e cobre do Poder Executivo as determinações de desocupação das propriedades privadas.

Como a disputa em Antônio João ganhou característica de guerra, é necessário que as autoridades constituídas e as partes envolvidas façam uso da arma mais eficaz contra conflitos tão acalourados: o diálogo. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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