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Campo Grande - MS, terça, 23 de outubro de 2018

correio do estado

Editorial desta terça-feira:
'Sem licitação, gambiarra reina'

13 FEV 2018Por 03h:00

Processos licitatórios emperram e travam manutenção dos semáforos e reativação de  radares e lombadas eletrônicas em Campo Grande.

Para manter semáforos funcionando nos cruzamentos de Campo Grande, técnicos da Agência de Trânsito têm de recorrer a gambiarras e até mesmo à troca de peças de um aparelho para outro. Essa criatividade para lidar com problemas e resolvê-los rápido é o lado bom do “jeitinho brasileiro”. Só que, neste caso, o que era para ser exceção se transformou em regra. Todos os dias um semáforo, quando não mais, apresenta pane. Essa situação já era prevista.

Desde o ano passado, tem se alertado para o sucateamento dos mais de 474 semáforos instalados em Campo Grande. No processo licitatório, a prefeitura cita o fim da vida útil dos equipamentos e a necessidade de substituí-los como justificativa do certame.

Porém, a licitação emperrou e, desde então, funcionários da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) recorrem a gambiarras para manter o sistema de sinalização operando. De acordo com funcionários ouvidos pela reportagem do Correio do Estado, na agência, há equipes treinadas e em número suficiente para executar o trabalho de manutenção. Mas não há peças de reposição para tal. 

Além dos transtornos, essas panes constantes ainda aumentam o risco de acidentes de trânsito, colocando em perigo a vida, principalmente, de pedestres e motociclistas.

A demora nos processos licitatórios não se restringe aos semáforos. No ano passado, radares e lombadas eletrônicas pararam de operar depois do vencimento do contrato com a empresa Perkons S.A. O processo licitatório também ficou para este ano.

Vale enfatizar que, em 2017, Campo Grande ficou na sexta posição entre as capitais brasileiras com maior número de vítimas de acidentes indenizadas pelo seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT). Ao todo, foram 3,7 mil acidentes que resultaram em indenizações.

Diante desse quadro, apresentado pelo relatório elaborado pela Seguradora Líder – responsável pela liberação de recursos do seguro –, é impossível imaginar uma capital como a nossa sem a devida sinalização de trânsito. E é justamente o risco existente.

A licitação prevê a compra de 780 semáforos, 160 botoeiras para pedestres e 35 câmeras de videomonitoramento, entre outros equipamentos, tanto para substituição quanto para a instalação do sistema em novos cruzamentos de Campo Grande. 

Porém, mesmo que ocorra sem a interferência do Judiciário, o que, aliás, tem sido uma reclamação constante do prefeito Marcos Trad, esses processos são demorados e levam, em média, de dois a três meses para serem concluídos.

Se houver ações impetradas na Justiça, a demora é ainda maior, podendo levar de meses a anos. Quem paga o preço do excesso de burocracia é a população, que precisa encarar cruzamentos perigosos sem sinalização semafórica e com risco de acidentes de trânsito nas principais vias da cidade. 

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