quarta, 18 de julho de 2018

CORREIO DO ESTADO

Editorial desta sexta-feira: "Triste sina de 2012"

14 AGO 2015Por 00h:00

A mudança de perfil de candidato é um exercício saudável e que pode, sim, dar bons frutos; mas, infelizmente, não foi o caso em Campo Grande 

Um ano e cinco meses depois da cassação de Alcides Bernal, a população de Campo Grande vive novamente a incerteza em relação à prefeitura da cidade. Ontem, em sessão tensa, a Câmara de Vereadores aprovou Comissão Processante que pode cassar o mandato de Gilmar Olarte. O ocorrido ontem é mais um desdobramento do resultado das eleições de 2012, quando  os eleitores apostaram na renovação política, mas presenciaram sucessão de medidas que se mostraram equivocadas e comprometeram a permanência de Bernal no cargo. Também foi atingida a administração da cidade, com reclamações de falta de limpeza urbana, da continuidade de obras e suspensão do pagamento de prestadores de serviços. 

Quando Gilmar Olarte assumiu a função, em março de 2014, esperava-se que o furacão tivesse passado e a cidade pudesse voltar, ao menos, à mínima normalidade. Afinal, o novo prefeito teria apoio na Câmara de Vereadores e a governabilidade – comprometida no embate entre Bernal e os parlamentares – poderia tornar-se viável. Porém, não foi o que aconteceu. A crise econômica atropelou as gestões públicas, fruto de medidas equivocadas do governo do PT. Os administradores deveriam, então, tomar medidas de redução de gastos, para não comprometer os projetos em andamento. Em vez disso, o que se viu na gestão de Olarte foi o inchaço da folha de pagamento, com a contratação de 1.044 comissionados, que, até onde se sabe, não estão no topo da lista de cortes feitos até agora. Desde que a retração tomou grandes proporções, os cortes feitos no Executivo parecem não ter surtido grande efeito. O pagamento aos servidores, depois de duas décadas sendo feito até o quinto dia útil, passou a ser escalonado, com servidores de maiores ganhos recebendo no fim do mês. A mesma medida pode ser adotada em setembro, já que as dificuldades permanecem, e a meta de economia fica no limiar do necessário.

Agora, Olarte é réu em processo de corrupção e lavagem de dinheiro, bem como alvo de comissão processante na Câmara de Vereadores. Se o grupo realmente irá afastar o prefeito do cargo, é uma dúvida que toda a população tem, uma vez que os vereadores que compõem o grupo fazem parte da base aliada – até o relator, que tem papel fundamental nos rumos dos trabalhos. Independentemente do desfecho, o que permanece é o clima de instabilidade na cidade. Desde que houve tentativa de experimentar e renovar, todos estão pagando por isso. A mudança de perfil de candidato é um exercício saudável e que pode, sim, dar bons frutos; mas, infelizmente, não foi o caso em Campo Grande. Olarte, permanecendo no cargo ou não, representa o equívoco que começou a ser criado a partir da eleição de Alcides Bernal. No mês do aniversário de 116 anos de uma capital tão promissora, o que fica é sentimento de tristeza e decepção pelo que ainda pode acontecer.

E, como se não bastasse a situação no cenário da Capital ser ruim, ainda há a preocupação com a política econômica nacional, trêmula das pernas e sem rumo. Resta ao eleitor pensar uma, duas, dez vezes na escolha do candidato. Cada vez mais, é importante selecionar com cuidado, não por amizade ou por quanto o seu voto “vale”. O critério tem que passar por competência, lisura e preparo para assumir funções no Executivo e Legislativo.

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