Quarta, 20 de Junho de 2018

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Editorial desta sexta-feira:
'Juntando os cacos'

12 JAN 2018Por 03h:00

A forte rejeição da população às modificações na taxa do lixo vai gerar prejuízos ainda incalculáveis para a administração de Marcos Trad, na área política e também financeira.

Depois de iniciado o processo para desfazer os equívocos da cobrança da taxa do lixo aprovada no ano passado, no mesmo carnê do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o prefeito de Campo Grande e seu primeiro escalão agora devem concentrar os esforços para mensurar os danos e, se possível, contê-los. Alguns prejuízos, sobretudo aqueles à imagem dos administradores, serão de difícil reversão.

Os cacos desta ação desastrosa, pouco (ou quase nada) calculada, estão por todos os lados. O trabalho de juntá-los será árduo. Colá-los, então, para reconstruir a situação existente antes da cobrança da taxa, será algo praticamente impossível.

O primeiro grande dano para a administração do prefeito Marcos Trad (PSD) é político. Depois de ter conseguido a aprovação da controversa taxa por um placar de 26 a 3 na Câmara Municipal, a reação negativa da população voltou-se não somente contra o mandatário, mas também contra aqueles que legitimaram as mudanças na taxa do lixo.

Nas redes sociais, o castigo contra eles tem sido duro. Para obter êxito nas próximas negociações com o Poder Legislativo, o chefe do Executivo terá de negociar muito mais com a base, que agora poderá ficar mais frágil.

O dano político também se aplica no médio prazo. O ano é de eleições para cargos de presidente, governador, nos parlamentos federal e estadual.

Embora os cargos no município não estejam em disputa, vereadores que tentarem a sorte em vagas abertas para a Assembleia Legislativa serão julgados de forma mais criteriosa pela população. No caso do prefeito, o apoio dele a qualquer candidato no próximo pleito poderá vir com um carimbo de “taxa do lixo” nele.

Até mesmo a relação entre o prefeito Marcos Trad e sua vice, Adriane Lopes, certamente será revista. Ao anunciar  – mesmo estando de férias – a proposta para revogar a taxa do lixo, o titular do mandato praticamente ignorou quem estava no exercício do cargo de prefeito, Adriane.

Mas os prejuízos vão além do cenário político. Eles poderão ocorrer em outras áreas e no curto prazo. O adiamento da data para pagamento do IPTU com desconto de 20% poderá comprometer o caixa do município. A ausência da receita com a taxa do lixo (que seguramente chegaria a R$ 60 milhões) piora ainda mais este cenário.

Contas para o município pagar com o dinheiro do IPTU e da quase extinta taxa do lixo é o que não faltam. No último trimestre do ano passado, por exemplo, a prefeitura suspendeu parte dos repasses aos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com a promessa de retomá-los na segunda quinzena de janeiro, quando os recursos destes tributos começariam a entrar no caixa. Este compromisso certamente terá de ser ajustado.

Vários contratos da área de infraestrutura, como os de manutenção de vias (tapa-buraco), aguardam não somente as chuvas intensas e constantes cessarem para se ter início, mas também recursos (parte virá do IPTU) para a compra de massa asfáltica. Estes são somente alguns dos danos desta desastrada cobrança. Muitos outros poderão aparecer nas próximas semanas. A conferir. 

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