Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

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Editorial desta segunda-feira: "Falhas recorrentes"

31 JUL 2017Por 03h:00

A fiscalização e a cobrança pela manutenção das rodovias estaduais precisam ser céleres para evitar a dilapidação de recursos públicos.

Não é preciso ser expert em pavimentação para identificar que há algum problema no serviço executado na MS-436, entre os municípios de Camapuã e Figueirão.

Passaram-se pouco mais de quatro anos desde a inauguração da rodovia e o que se vê é precariedade, desleixo e dúvidas sobre a aplicação correta dos recursos, cerca de R$ 215 milhões.

Por um valor considerável como este, é inconcebível verificar as condições da via, como ilustra reportagem desta edição e como a manutenção, seja de responsabilidade da empresa ou do governo do Estado é inexistente. 

As fotos publicadas são evidência incontestável da dificuldade enfrentada por quem transita na rodovia, sendo necessário um verdadeiro  malabarismo. Não é de hoje que o Correio do Estado denuncia a precariedade de rodovias estaduais, principalmente da MS-436.

O assunto é recorrente devido à importância dos números envolvidos nessa pavimentação. Empresas responsáveis pela obra também foram investigadas pela Polícia Federal, na Operação Lama Asfáltica.

Dois anos após a entrega do serviço, os problemas estruturuais passaram a ser evidentes e o governo do Estado, segundo informações dadas à época, intimaria as empreiteiras para que cumprissem a manutenção garantida em contrato.

Reparos foram executados, mas, como dizem os moradores do entorno, pura enganação. Poucos meses depois, as imperfeições voltaram a aparecer, formando-se panelas no meio da pista.

Posteriormente, por diversas vezes, uma das empresas, a Sanches Tripoloni, alegou que havia cumprido o projeto inicial e seguido o que previa o contrato.

Como o governo de MS não se pronunciou sobre o assunto, ficam em aberto alguns questionamentos: por diversas vezes, a administração informou que iria acionar a empreiteira, até judicialmente, para exigir a manutenção.

Se isso não foi feito, há indício de que a justificativa da empreiteira seria plausível. Se não for, onde estão as providências para que a estrada receba os reparos? Mesmo que já tenham sido executados alguns serviços, é mais do que perceptível que novos investimentos precisam ser feitos.

Infelizmente, o trabalho inicial não correspondeu ao gasto de R$ 215 milhões e isso também deveria ser cobrado.

Por enquanto, é a população em Mato Grosso do Sul que está sendo penalizada, vendo o dinheiro público ser desperdiçado e ter de enfrentar os buracos em rodovias que deveriam estar em perfeitas condições.

A fiscalização e a cobrança pela manutenção das rodovias estaduais precisam ser céleres para evitar a dilapidação de recursos públicos. Depois que os problemas surgem, auditorias são abertas e gasta-se tempo precioso que poderia ter sido melhor utilizado antes, na fase de execução dos serviços.

Porém, é justamente aí que se recaem os principais indícios de ilegalidade apontados na Lama Asfáltica. O desleixo ou despreparo em se lidar com a vistoria precisa ser urgentemente discutido e o sistema de fiscalização, aprimorado.

Enquanto as falhas não forem sanadas, seja por ineficácia da empreiteira ou por má-fé dos envolvidos no processo, os problemas irão perdurar.
 

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