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CORREIO DO ESTADO

Editorial desta quarta-feira: "Silêncio comprometedor"

Editorial desta quarta-feira: "Silêncio comprometedor"
05/08/2015 00:00 -


 

O silêncio de Gilmar Olarte diante do incoerente aumento de repasse para o consórcio do lixo é comprometedor. Ou ele é complacente, ou é cúmplice desse generoso reforço de caixa para a empresa dos investigados na Lama Asfáltica 

O município tem cada vez mais dificuldade de explicar o exorbitante aumento do repasse mensal ao Consórcio CG Solurb, responsável pela limpeza urbana em Campo Grande. Agora, o contrato, que desde o início do ano garantia repasse mensal de R$ 9,6 milhões à concessionária, foi para “astronômicos” R$ 14,3 milhões por mês. 

Em dois anos e sete meses, período que a Solurb assumiu o serviço de limpeza urbana e coleta de lixo em Campo Grande, a evolução do repasse mensal é ainda mais difícil de ser compreendida. Em novembro de 2012, o consórcio recebia R$ 4,3 milhões/mês e, neste período, viu seu caixa ficar cada vez mais robusto, com acréscimo de R$ 10 milhões: aumento de 232%.

No mesmo período, a produção de lixo da capital sul-mato-grossense passou de 650 para 800 toneladas, acréscimo de volume que não justifica o absurdo crescimento do repasse. A inflação de 21,3% verificada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também ajuda a tornar ainda mais inverossímil qualquer outro argumento que a Prefeitura de Campo Grande apresente para o aumento do repasse ao consórcio. É simplesmente onze vezes menor que a variação do ganho mensal da concessionária. 

O cenário atual também não conspira em nada para qualquer incremento de recursos à Solurb. Justamente nos anos de 2014 e 2015, quando a receita da Prefeitura de Campo Grande passou a ser menor, influenciada pela crise econômica, a transferência de dinheiro para a coleta de lixo aumentou.

Fica difícil para o prefeito Gilmar Olarte explicar aos servidores – os quais, ao longo deste mês, receberão de forma escalonada os salários do mês passado, por causa das dificuldades financeiras – que, só no último mês de junho, o município transferiu R$ 14,3 milhões para a conta da empresa formada pela união entre a Financial Construtora, do empresário Antônio Fernando Araújo Garcia, e a LD Construções, de Luciano Dolzan, genro de João Amorim. 

Todos os meses, esses empresários e empresas investigados pela Polícia Federal, na Operação Lama Asfáltica, recebem quantia milionária dos cofres públicos. Uma Mega-Sena, praticamente. Dinheiro que faz falta nas ruas da cidade, quase sem nenhuma sinalização; em alguns parques da cidade, que estão fechados por falta de dinheiro para reforma; e em muitas escolas da rede municipal.

O cenário de crise econômica cairia como uma luva para justificar todos esses problemas vividos pela população campo-grandense. O abusivo aumento do repasse à Solurb, no entanto, pesa contra a administração municipal e leva o cidadão a indagar se, em pouco tempo, pagará impostos para exclusivamente engordar o caixa de concessionárias e empreiteiras. 

O silêncio de Gilmar Olarte diante do incoerente aumento de repasse para o consórcio do lixo é comprometedor. Ou ele é complacente, ou é cúmplice desse generoso reforço de caixa para a empresa dos investigados na Lama Asfáltica. 

Felpuda


Dois pedidos de desculpas, de autorias diferentes, foram assuntos muito comentados nas redes sociais com críticas ácidas às suas declarações, até porque os envolvidos não só os usaram despropositadamente, como tiveram de voltar a eles para se redimirem. Um deles, inclusive, quase criou uma crise política da-que-las, o que obrigou seu pai, figurinha carimbada, a pular miúdo para colocar panos quentes sobre a questão. Essa gente!...