Quarta, 13 de Dezembro de 2017

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Editorial desta quarta-feira: "Não foi por falta de aviso"

6 DEZ 2017Por 03h:00

Nada foi feito nas margens dos rios e córregos durante o período de estiagem. Agora, os trabalhos emergenciais são muito pouco eficazes. É como enxugar uma barra de gelo.

Quem transita em avenidas que margeiam alguns dos principais rios e córregos de Campo Grande, como  Anhanduí, Segredo e Prosa, pode verificar com facilidade as cicatrizes que as chuvas deixaram na estrutura urbana nas proximidades desses cursos d’água, ao longo das últimas décadas.

Na Avenida Ernesto Geisel, do Ginásio Guanandizão até o cruzamento com a Avenida Salgado Filho, a erosão levou parte do pavimento da via marginal há uma década, e nada, ainda, foi feito para reparar o dano. A demora para concluir licitações e obras que nunca saem do papel faz com que o problema fique, a cada verão, mais grave e, consequentemente, sempre mais caro para ser solucionado. 

Como se não bastasse o descaso para acabar com o processo erosivo da margem do Rio Anhanduí, o município agora tem muitos outros problemas relativos à drenagem para resolver. A inércia das autoridades permite que as vias marginas de Campo Grande sejam levadas pela enxurrada, enquanto uma outra enxurrada – de dinheiro – seja necessária para reverter os anos de negligência.

Fica a dúvida se ao longo deste ano, além de obras de contenção de enchentes, existiram outras ações mais importantes para serem executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). Entre o fim do mês de maio e o início de setembro, Campo Grande teve dois períodos de quase 40 dias sem chuvas.

Tempo mais que suficiente para que os gabiões do Córrego Prosa, nas avenidas Fernando Corrêa da Costa e Ricardo Brandão, recebessem a devida manutenção. Se esses trabalhos tivessem sido executados durante a estiagem, os frequentes desmoronamentos de estrutura não ocorreriam a cada temporal.

É importante ponderar que, além da manutenção do sistema de drenagem e das vias marginais, o tapa-buraco também era uma outra ação importante a ser executada no período sem chuva. Todavia, mesmo esse trabalho não foi feito a contento. Basta transitar pelas ruas da Capital para constatar as incontáveis irregularidades no pavimento. 

Agora, em dezembro, quando nos primeiros 5 dias choveu 43% do volume esperado para todo o mês, é que a prefeitura executa obras emergenciais nos córregos Prosa e Segredo.

O trabalho, tardio, pode ser levado pela enxurrada nos próximos temporais, juntamente do dinheiro público que é desperdiçado por causa da negligência das autoridades responsáveis pela infraestrutura do município.

Fica a pergunta: onde estava o secretário de Infraestrutura e sua equipe durante os dias de estiagem? Não só este veículo de comunicação, mas muitos cidadãos denunciaram os problemas nas margens dos córregos nos meses sem chuva. Nada foi feito, e as cobranças foram ignoradas. Agora, os trabalhos emergenciais são muito pouco eficazes, como enxugar uma barra de gelo.

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