Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

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Editorial de sábado/domingo: "Terrorismo organizado"

19 AGO 2017Por 03h:00

A guerra entre os bandidos e a ação deles (...) são demonstrativos de selvageria, menosprezo à vida e deboche às forças de segurança pública.

O crime organizado domina a região de fronteira. Há décadas que é notória a atuação de facções, como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, no controle do tráfico de armas e drogas vindas da Bolívia e do Paraguai.

A população da região, infelizmente, sempre foi testemunha de crimes bárbaros. Desde a morte do traficante Jorge Rafaat Toumani, no ano passado, e a eclosão da guerra entre os criminosos no Rio de Janeiro, os casos violentos espalharam-se como vírus por Mato Grosso do Sul.

O aparato de segurança mostra-se cada vez mais insuficiente para conter a barbárie disseminada pelos bandidos.

Na última semana, o esquartejamento de um rapaz de 22 anos, em Campo Grande, evidenciou o quanto a guerra do tráfico alastrou-se pelo Estado.

Em vídeo, o jovem pede desculpas ao PCC, o que não foi suficiente para suspender a sentença de morte.

Nesta edição do Correio do Estado, o delegado Jair Carlos Mendes avaliou que muitos criminosos buscam a cidade como refúgio, por conta da perseguição disseminada por facções inimigas.

Já é notória a existência do PCC, o maior grupo, com exército de 7 mil integrantes somente nos presídios, além do Comando Vermelho, que domina os morros cariocas.

Recentemente, outras siglas somaram-se a eles. Família do Norte, Sindicato do Crime, Seita Satânica, Bonde dos 40 são algumas das novas designações adotadas pelo crime organizado, uma das atividades mais rentáveis do mundo.

De acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial, a estimativa é de que a “atividade” movimente R$ 1 trilhão por ano, com maior rentabilidade no narcotráfico, na falsificação de produtos, no tráfico humano, de petróleo e de animais. 

Não é à toa que o sistema de segurança “enxuga gelo” no combate ao crime. As apreensões feitas em operações policiais evidenciam que os bandidos usam armamento potente, alguns de uso restrito pelas Forças Armadas.

A situação no Rio de Janeiro é deplorável, explicitando a falência do Estado. O descontrole se alastra, os criminosos ganham território e ignoram qualquer autoridade pública.

O quadro desalentador é reforçado pelo contingenciamento de verbas, que afeta o esquema de fiscalização.

Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Rodoviária Federal sofre restrições orçamentárias, deixando o caminho aberto para a passagem do contrabando e do tráfico de drogas e armas.

O Sistema Integrado de Monitoramento  de Fronteiras (Sisfron), do Exército, também foi atingido e o cronograma de execução previsto foi adiado por tempo indeterminado.

A guerra entre os bandidos e a ação deles pelo País são demonstrativos de selvageria, menosprezo à vida e deboche às forças de segurança pública.

No meio disso, a população, indefesa, assiste a cenas de horror que nos remetem aos atos de terrorismo. Se não houver estratégia conjunta e efetiva, viveremos eternamente em campo minado. O combate é urgente; a inércia do Estado causa aflição e nos deixa com um questionamento: até quando vamos aguentar?

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