Terça, 12 de Dezembro de 2017

ARTIGO

Divaldo Ferreira Souto: "A Igreja e a Escola: sem questioná-las, será que nos salvam?"

Divaldo Ferreira Souto Filho é servidor público estadual e bacharel em Direito

6 OUT 2017Por 02h:00

O Brasil passa, ao mesmo tempo, por uma análise ética geral, mas não de cunho pessoal, e as duas situações são consequências da escassez da fé no Deus verdadeiro e da aceitação de uma arte abjeta. Quando sentimos a arte nobre que há muito não se vê e o Deus verdadeiro, achamo-lo simplesmente estranho. Isso ocorre pela incapacidade de percepção de que há algo maior daquilo que ocorre por aí. Trata-se de um problema cultural, onde fomos vítimas da desconstrução do sistema educacional, uma vez que a cultura está intimamente ligada à educação, na proporção de quanto maior a qualidade desta mais nobre será a expedição e veiculação daquela. 

Quando ouvimos um veredito carimbado com a expressão Deus, aceitamo-lo como verdade absoluta, impassível de questionamentos por ser sagrado. Isso é um duplo absurdo. Primeiro, a ausência de indagações numa coletividade leva à ditadura de opiniões. Segundo, trata-se de transgressão a um dos mandamentos divinos, o de não tomar seu santo nome em vão. Deus passou a ser ferramenta de angariar status ou dinheiro por alguns charlatães que usam o dom da lábia sobre, principalmente, mentes em vulnerabilidade que procuram a Deus em momentos conturbados. 

Todo aprendiz copia o ensinamento do mestre. Após a análise se aquilo é bom ou ruim para si, passa a segui-lo ou a repudia-lo. As escolas e universidades vivem uma decepcionante e perigosa falência de didática, tanto dos educadores como dos alunos. A metodologia de ensino dos educadores está pautada num equívoco. Paulo Freire, com sua forma de entender o aluno como um ser que aprende por si, somente contribui com o fracasso geral das instituições educacionais. Já as universidades, enxergam seus acadêmicos ou como fonte de dinheiro ou como votos eleitorais. Perdeu-se a essência da transmissão do ensino.

Os alunos não se preocupam em aprender visando a evolução de raciocínio. Preocupam-se em não reprovar para simplesmente seguir o fluxo. A escola não reprova nem ensina. As escolas não ensinam nem sequer os contos de fada. Ela própria é um faz de conta. O resultado disso é a baixa qualidade de seu produto final: o próprio aluno. Poucos jovens conseguem escrever, interpretar textos, fazer operações matemáticas, ter curiosidade em ciências e artes. Paripassu, o uso do internetês nas redes sociais contribui com a ineficácia da educação. Aonde a educação não se faz presente, a torpeza reina.    

Qualquer busca verdadeira a Deus deve ser ou pelo amor ou pela dor. Pelo amor, o contato se dá como uma tradição passada por quem se ama. Pela dor, como última tentativa da solução dos problemas. Isso motivada pela crença da divindade que criou tudo e que detém forças maiores que as aflições da alma. Logicamente que, após conhecermos intimamente a Deus, só podemos acreditar nele se tivermos um testemunho de seu poder extra-humano. Se não for assim, a fé – ato de crer pelo amor – deve ser questionável, haja vista as escrituras sagradas serem objeto de várias culturas, religiões e interpretações.

Talvez as consequências melhorem quando as pessoas buscarem o melhor em vez da condição de se evitar o pior. As pessoas vão à escola para evitar deixar de ser alguém em vez de aprender realmente. É a equivocada atribuição de valor maior ao certificado que ao conhecimento. As pessoas vão à Igreja para evitar o mal de ser uma ovelha negra na sociedade ao invés de discutir e conhecer a Deus. Os alunos não discutem as ciências com os professores assim como os cordeirinhos não discutem as sagradas escrituras com os evangelistas. Amar a si mesmo é não aceitar imposições sem questioná-las, pois a busca da resposta à dúvida é que nos faz evoluir.

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