Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

OPINIÃO

Cezar benevides: "Dentro e fora da maçonaria"

Professor aposentado da UFMS

13 AGO 2018Por 01h:00

Na realidade as coisas não são tão simples como parecem. Para uma pessoa leiga, a palavra “Maçonaria” pode ter um sentido pejorativo se pronunciada fora de seu contexto, pois expressa, equivocadamente, segredos inconfessáveis. É o exemplo clássico quando se extrai lições apressadas da História.

Contra tal sentido simplificado que o termo assumiu na modernidade, fora de suas sagradas colunas, recomendo a leitura do interessante livro O Esquadro visitando o Compasso (Campo Grande, MS: Life Editora, 2018) do ilustre professor Wilson Marques Barbosa, docente aposentado da UFMS, auditor independente muito respeitado e membro da Loja Colunas da Lei 55. Devo registrar que tivemos um amigo comum inesquecível, o recém falecido conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, professor Aecim Tocantins.

Examinando o referido livro verifiquei que os elevados ideais milenares da Maçonaria nacional e internacional se traduzem em ações voltadas para o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual da humanidade. Vou mencionar dois exemplos citados pelo autor. Primeiro, a influência da Maçonaria foi decisiva nas reformas políticas que culminaram com a nossa Independência.

Ela colocou seu considerável prestígio a favor de nossa liberdade, revertendo a tendência opressiva das cortes portuguesas, que restringia nosso direito à emancipação. Depois, a inovação mais arrojada teria ocorrido, em sua opinião, no ano de 1889, com o estabelecimento de uma república federativa no Brasil (p. 113).

O livro é assim um documento muito interessante, repleto de detalhes práticos com ampla visão de futuro para a tradicional instituição. É também revelador pelo que não diz sobre o atual momento histórico que estamos vivendo. Escrito por um homem sábio, a mensagem implícita é de cautela. A Maçonaria deve se mostrar vigilante em relação àqueles que buscam destruir a paz social. Manter os olhos abertos sempre recomenda o autor.

O professor Wilson já percorreu um grande caminho. Agora está aconselhando os jovens iniciados com lições de prudência e estimulando o cultivo dos valores essenciais da Ordem Maçônica como hábitos de modéstia e de sobriedade.

A principal lição que aprendi foi a de que existe um senso de sagrado ou de transcendência ao qual o iniciado está vinculado desde o primeiro momento em que conhece os grandes símbolos da instituição: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso. Todos convergem para a perfeição e a retidão.

O Esquadro visitando o Compasso tem como relevante mérito a extraordinária capacidade do autor para tornar didático um assunto milenar. Deve ser lido dentro e fora da Maçonaria.

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