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Campo Grande - MS, quinta, 15 de novembro de 2018

crônica

Crônica de Theresa Hilcar:"Um pouco
de paz, por favor!"

1 AGO 2017Por 07h:48

A crônica já estava escrita. O tema não poderia ser ameno: viagens. Mais precisamente, falava de Paris. Mas neste dia em que ainda ecoam – e deverão ecoar por um bom tempo – os ruídos das barbáries que vêm acontecendo em nossa cidade, resolvi mudar o assunto.

Não vou falar sobre a violência. Ao contrário, quero falar de paz. Ando cansada dos noticiários da vida, em que a manchete é sempre uma catástrofe, um crime hediondo, as falcatruas políticas, as mazelas sociais e o caos generalizado.

Jornais, sites, TVs, não se fala em outra coisa. Há algum tempo, deixei de assistir a telejornais. Eles me deprimem sobremaneira.

Não consigo entender a utilidade de colocar lentes de aumento em algo que, por si só, já é desagradável. Antes, muito tempo antes, existiam jornais que eram especialistas em notícias ruins, costumava-se dizer que deles saia sangue.

Com a espetacularização da notícia, sobretudo no noticiário on-line e nas TVs, isto é quase uma rotina. Imagino que alguém, um estrangeiro desavisado, ligando a TV no seu quarto de hotel, queira pegar o primeiro voo de volta. De cada dez notícias, nove são aterrorizantes. Ou, no mínimo, desanimadoras.

Sob o argumento de que é preciso mostrar a verdade, cometem, a meu ver, abusos e danos irreparáveis. Quem assiste aos telejornais ou acessa a internet são pessoas de todas as idades. Não há proibição para menores.

A criança e o adolescente estão à mercê de reportagens de todos os tipos. São vulneráveis, indefesos, diante do apresentador e da tela que mostra o pior do ser humano nos mínimos detalhes.

Ora, existe uma coisa chamada subconsciente, e ele grava tudo isto na memória. Ele não sabe distinguir o que é notícia, o certo do errado.

A Unesco (2000) fez uma publicação composta por artigos e pesquisas de estudiosos de diversos países sobre a relação da criança e a mídia.

No artigo “A Natureza e o Contexto da Violência na Televisão Americana”, Wilson (2000) diz que a exposição a programas violentos podem causar pelo menos três consequências aos receptores: aprendizagem de atitudes e comportamentos agressivos, dessensibilização à violência e maior medo de ser vítima de violência.

Wilson destaca, ainda, que a violência na televisão contribui para o comportamento agressivo infantil, e que esse efeito pode chegar à idade adulta.

Tornar-se violento não é o único risco que as crianças expostas à violência apresentada pelos meios de comunicação correm.

Pessoas expostas a muitas horas de televisão e internet acreditam que o mundo é tal como é visto por meio dos programas, ou seja, com violência, estupros, assassinatos, uso de drogas, etc., o que pode ocasionar um medo constante de ser vítima de agressão.

É inegável que vivemos em uma sociedade violenta, com altos índices de barbáries, mas nada me convence de que o noticiário exacerbado contribua para prevenir fatos desta natureza.

Ao contrário, servem para nos amedrontar e, mais que isto, para despertar em nós sentimentos de ódio e vingança. É só dar uma olhada nos comentários que pululam nas redes para conferir.

Outro dia conheci uma publicação chamada “Jornal das Miudezas”, que publica cenas sensíveis do cotidiano e nos convida a andar com binóculos miúdos para enxergar a alma das coisas, pequenos detalhes do dia a dia que passam despercebidos pelo nosso olhar viciado em notícias e fatos desagradáveis.

Ou seja, ao lado de tantas notícias ruins, existem centenas de boas notícias, fatos interessantes e pessoas que estão construindo um mundo melhor.

Existe literatura, artes, música, projetos educacionais transformadores. Existe um mundo paralelo que tenta sobreviver ao caos de forma criativa. Por que não dar mais espaço a tudo isso?

Às coisas que constroem, e não àquelas que [nos] destroem. Nossa alma está precisando de descanso. E um pouco de esperança.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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