Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Perigo potencializado"

9 SET 2017Por 03h:00

De nada adianta aumentar o rigor da lei se as ações de fiscalização não se tornarem, da mesma forma, mais frequentes.

Fim de semana ou feriadão representam perigo dobrado no trânsito. O número de acidentes aumenta e as vítimas de traumas sobrecarregam as emergências dos hospitais. As imprudências avançam, principalmente, pelo risco de duas ações antagônicas que, quando combinadas, podem produzir efeitos nocivos: beber e dirigir.

Na noite do dia 7 de setembro deste ano, as vítimas foram o casal Cleberson e Eliane Gimenez, em acidente no Anel Rodoviário, próximo ao Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande. Eles estavam em um Corsa, com as duas filhas, que também ficaram feridas. O veículo foi atingido por uma caminhonete Strada, conduzida por Matias Marques da Silva, que, conforme a polícia, tinha ingerido bebida alcoólica e seguia internado na Santa Casa. Uma tragédia potencializada pela irresponsabilidade e pelo desprezo às leis.

Há nove anos, o Brasil passou a contar com a Lei Seca (Lei 11.705/2008), a qual sofreu alterações ao longo desse período justamente para se tornar mais rígida. Hoje, a tolerância é zero! O condutor que ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica está sujeito à multa no valor de R$ 2.934,70 e à suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

Em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado, podendo chegar a R$ 5.869,40. Mas a legislação só se aplica se houver fiscalização, algo que precisa urgentemente ser aprimorado em Mato Grosso do Sul. A quantidade de blitze, infelizmente, não aumentou em consonância com a maior severidade da legislação. Assim, sua aplicabilidade fica apenas no papel ou restrita aos casos em que o condutor acaba se envolvendo em acidentes, alguns com maior gravidade, como ocorreu na noite de quinta-feira.

Segundo os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, no ano passado, 7,3% da população adulta das capitais brasileiras declarou que bebe e dirige. No ano anterior, o índice foi de apenas 5,5%. Basta, porém, observar o comportamento de algumas pessoas que deixam bares no período noturno para percebermos índices ainda mais significativos. Muitos ainda saem dirigindo normalmente, ignorando os riscos à própria vida e à de terceiros. Na verdade, esse temor das alterações de sentido que o álcool pode produzir deveria ser suficiente para conscientização. Mas as repetidas ocorrências mostram que os alertas e, até mesmo, as estatísticas não são suficientes para convencer os infratores acerca dos perigos a que se submetem.

Por isso, a punição ainda aparece como fator importante para tentar diminuir essa recorrência de imprudências e descalabros no trânsito. Mato Grosso do Sul enfrenta preocupante deficit no número de policiais militares, 41% inferior ao que seria necessário. A quantidade de agentes de trânsito também é pífia e limita-se a outras infrações, como estacionar em local proibido ou dirigir sem cinto de segurança. Defasagens que acabam comprometendo também as ações preventivas. De nada adianta aumentar o rigor da lei se as ações de fiscalização não se tornarem, da mesma forma, mais frequentes. Hoje, infelizmente, a impunidade e o desrespeito andam em sincronia.  
 

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