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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Mais eficiência e inteligência"

25 MAI 19 - 03h:00

Projetos de infraestrutura, e algumas políticas nas áreas de saúde e educação, deveriam ser permanentes, e não ter a execução atrelada ao ego dos políticos.

A gestão pública brasileira só vai melhorar quando houver um padrão para execução de obras, e o estabelecimento de políticas permanentes, independentemente do partido ocupado pelo chefe do Poder Executivo. Há mais de uma geração que o brasileiro só vê o lançamento de obras, a entrada em vigor de novos programas habitacionais, educacionais e de saúde. Mas - ao longo do tempo - a sensação que qualquer cidadão tem é de que os problemas persistem. 

Tão certo quanto dois mais dois são quatro, é que quase todos os municípios brasileiros tem pelo menos uma obra paralisada. Quando algo na área de infraestrutura é lançado por um governo, seja ele municipal, estadual ou federal, normalmente o cidadão é cético. Quase todos duvidam que uma obra pública fique pronta. Nestes casos, é melhor mesmo não acreditar, até porque, se é que uma estrutura for levantada e inaugurada, a surpresa trará um bom sentimento ao cidadão. Em se tratando da ineficiência do poder público, a máxima de que a expectativa é a mãe da decepção, é muito mais válida que em outras situações.

Nesta edição trazemos reportagem que mostra o abandono de 16 obras de escolas e creches em Campo Grande. As estruturas estão paralisadas há pelo menos cinco anos - algumas há mais tempo ainda - e não há, por enquanto, perspectiva da retomada delas. O problema não é apenas a paralisação destas obras, cujos recursos já foram entregues, e estão licitadas e praticamente pagas. Estruturas abandonadas criam novos problemas, como por exemplo, os ligados à segurança pública. É difícil alguém não reclamar das consequências das obras paralisadas em uma cidade. No mínimo, elas viram abrigo de vândalos.

Por isso abrimos este editorial abordando a necessidade de continuidade das obras e programas de governo. O bem da população, têm de ser muito maior do que o ego de alguns políticos. Nas obras paralisadas, e nos programas descontinuados, há dinheiro público investido, recursos que saem dos impostos dos cidadãos e das empresas.

Além da continuidade, que deveria ser uma obrigação legal,  também é preciso mais planejamento e inteligência por parte dos gestores. Há cidades que não precisam de mais escolas, mas de reformar as existentes. Outras, não precisam de mais postos de saúde, mas de hospitais. A necessidade e a utilidade do bem público deve sempre balizar a decisão do gestor. Desta forma, haveria muito menos desperdício, e nenhuma obra paralisada.
 

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