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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Escritório do crime"

16 MAR 19 - 03h:00

A falha do sistema prisional brasileiro gera estragos para além das muralhas dos presídios.

Nesta semana, a Operação Phantom, da Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros, desarticulou esquema contra agências bancárias de Mato Grosso do Sul. A ação policial, como mostrou reportagem do Correio do Estado na sexta-feira, cumpriu mandados de prisão em Campo Grande, Dourados e Chapadão do Sul e mais uma vez apontou para a participação de presos na mentoria dos crimes. 

Neste caso específico, a ação criminosa foi além da organização. De dentro do Presídio de Segurança Máxima, o mandante também ensinava, por meio das redes sociais, como realizar furtos em agências bancárias. É a criminalidade acompanhando os avanços tecnológicos e os benefícios das redes sociais. Não é de hoje que a fragilidade no sistema de segurança dos presídios é alvo de discussão em todo o Brasil. Depois de anos negando a possibilidade de organização dos criminosos, veio a conta e o Estado teve de correr atrás do prejuízo. E é isso o que se tem feito desde então. Operações como a do Garras e tantas outras para combater esquema de crimes organizados dentro de presídios são de extrema importância para coibir esses tipos de ações criminosas. Ainda hoje, são poucas as medidas efetivas para coibir a entrada de celulares e drogas nas unidades penais. A falha do sistema prisional brasileiro faz com que celas virem escritórios dos bandidos e os estragos dessas ações vão muito além das muralhas. Foi esta falha, por exemplo, a responsável pela criação e expansão de facções criminosas em todo o Brasil. A maior delas nasceu dentro do presídio e, graças à deficiência do Estado em manter presos isolados, de fato, foi ganhando força até se tornar o que se vê hoje em todo o País: sequestros, roubos, assassinatos e ataques praticados por ordens vindas de dentro das unidades penais. 

Escapam os presídios federais, cujo esquema de segurança é mais do que reforçado para evitar a comunicação dos maiores criminosos do Brasil com o mundo exterior. Contraditoriamente, o que era para ser regra, no Brasil, é exceção. No Presídio de Segurança Máxima, em Campo Grande, por exemplo, o funcionamento do equipamento que bloqueia o sinal de aparelhos celulares ainda é uma incógnita. O sistema existe, mas tem pontos cegos, o que faz com que os internos continuem a comandar crimes de dentro dos presídios. 

Recentemente, o sistema prisional de Mato grosso do Sul, incluindo o Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande, começou a receber scanners corporais. Ao todo, são dez aparelhos para inspeção pessoal e que, além de reduzir o constrangimento dos visitantes, por dispensar a revista íntima, podem auxiliar no combate à entrada de equipamentos ilegais. Porém, esta não pode ser a única medida na tentativa de isolar presos de outros criminosos. O País precisa de atuações efetivas de controle das unidades penais para impedir que ações como as registradas no Ceará, que viveu cenário de guerra, voltem a se repetir. 

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