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Campo Grande - MS, quinta, 15 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "Custo estarrecedor"

5 AGO 2017Por 03h:00

Intriga, ainda, a disparidade entre a quantia milionária e o quadro deplorável das finanças frequentemente relato pelo prefeito.

É, no mínimo, estranho o valor exorbitante de R$ 141 milhões em três contratos assinados pela Prefeitura de Campo Grande com as empresas JR Comércio e Serviços Ltda. – ME e MS Brasil Comércio e Serviços Ltda., desde o começo deste ano. Ambas serão contratadas para aluguel de máquinas usadas em serviços de cascalhamento e mutirões de limpeza. Se depender do vultoso montante pago, a população pode ficar tranquila, pois os moradores serão contemplados com uma cidade extremamente bem cuidada. Intriga, ainda, a disparidade entre a quantia milionária e o quadro deplorável das finanças frequentemente relato pelo prefeito Marcos Trad e pelos secretários, para justificar cortes de gastos, redução de investimentos ou dificuldade para conceder reajustes salariais.

A Secretaria Municipal de Obras parece estar em um “mundo paralelo”, em que a crise econômica não vem causando impactos como nos demais setores. Na saúde, por exemplo, Campo Grande enfrenta momento caótico, com o fechamento dos portões do pronto-socorro da Santa Casa, em decorrência da superlotação. O colapso é agravado pelo atraso de R$ 21 milhões que deveriam ser repassados pelo governo do Estado, o que dificulta a aquisição de remédios ou materiais para exames. Até mesmo na área de infraestrutura, a administração municipal tem mantido o tom cauteloso, direcionando suas ações para retomar o tapa-buraco que tinha sido abandonado pela gestão de Alcides Bernal. Várias obras foram interrompidas porque não havia previsão orçamentária e tem sido necessário apelar à iniciativa privada para, ao menos, realizar algumas intervenções urgentes, a exemplo do cuidado com as praças.

Em meio a esses relatos constantes de “aperto” para atender a prioridades, é estarrecedor o montante milionário gasto com locação de maquinários para execução de serviços. Há, inclusive, grave erro na terceirização de qualquer trabalho feito na pasta de Infraestrutura. O secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese, demonstra, em suas declarações, já ter a certeza de que não utilizará todo o montante do contrato e esclarece que o pagamento é feito somente em relação aos equipamentos utilizados. Dessa forma, porém, não há como manter o controle de quanto a prefeitura realmente gasta todos os meses nem quanto paga por máquina. O cidadão fica, portanto, sem ter garantias se esse investimento com o dinheiro público está, de fato, compensando. Há dubiedade até mesmo sobre quanto foi gasto este ano. Os descuidos evidentes em cada bairro demonstram, porém, que o trabalho não chegou à grande parte da cidade.

A transparência é fundamental. Campo Grande tem histórico de contratos suspeitos, que ensejaram investigações decorrentes de possíveis interesses escusos e resultaram em prejuízos aos cofres municipais. O município mantém empresas com contratos altíssimos para limpeza, a exemplo da Solurb, e outras para cascalhar ruas. Por isso, é imprescindível esclarecer essa possível duplicidade de pagamentos para serviços semelhantes. A atual gestão precisa colocar em prática a lisura prometida. Por enquanto, mantém vários pontos obscuros e retoma-se o temor de que incoerências sejam repetidas.  
 

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