Terça, 24 de Abril de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "BNDES em apuros"

13 JAN 2018Por 03h:00

É lamentável que, em meio à falta de dinheiro do banco e com recentes ajudas externas e grupos investigados por corrupção, faltem investimentos para setores importantes da economia brasileira.

O aviso do diretor da área financeira internacional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Thadeus de Freitas, de que a instituição não dispõe de R$ 130 bilhões para devolver ao Tesouro Nacional neste ano de 2018, além de soar como alerta sobre a saúde financeira do banco, também dimensiona o tamanho dos problemas financeiros do País. A União precisa desta quantia para cumprir determinação conhecida como Regra de Ouro, que impede a administração federal de captar no mercado volume de recursos superior ao investimento. O objetivo desta restrição é evitar que o governo se endivide para cobrir gastos obrigatórios, como o pagamento de salários, por exemplo. 

A regra de ouro também deveria incentivar a responsabilidade fiscal dos gestores públicos, evitando o que é informalmente chamado de “pedalada”, ou para aqueles que entendem muito bem de orçamento doméstico: usar dinheiro de dívida para cobrir gastos do cotidiano. Qualquer cidadão sabe que, se agir desta forma, quebrará rapidamente.

As dificuldades financeiras do BNDES evidenciam os erros das últimas gestões do banco e também colocam em dúvida a sua finalidade: a de fomentar o desenvolvimento nacional. Falando nos desacertos da instituição num passado recente, é notório que o que ela mais fez no fim da década passada e no início desta década foi ajudar a desenvolver outros países da América do Sul e também da África. O critério parecia ser só um: financiar obras (muitas delas investigadas por corrupção) em países governados por aliados do Partido dos Trabalhadores.

Foi assim, por exemplo, com o Porto de Mariel, em Cuba. O mesmo também se aplica aos empréstimos para construção de rodovias e pontes em países como Argentina, Peru, Bolívia e também em nações africanas. Em alguns destes empréstimos, em vez do pagamento das parcelas, o BNDES caminha para receber um retumbante calote.

No Brasil, os recursos do BNDES estão aparecendo agora também na forma de corrupção. A origem de investigações que colocaram sob suspeita o grupo JBS, por exemplo, foi o uso de recursos de fundos deste banco e da Caixa Econômica Federal (outra instituição financeira em situação delicada) em projetos como o da Eldorado Celulose. Investigação da Polícia Federal levantou suspeita de que estes organismos públicos, sócios da indústria, arcariam com o prejuízo de algumas operações.

É lamentável que, em meio à falta de dinheiro do BNDES e com as recentes ajudas externas e grupos investigados por corrupção, faltem investimentos para setores importantes para o País. O que o Brasil mais precisa neste momento são os bons e vultosos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Uma pena que eles sejam tão escassos. 

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