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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado/domingo: "A União deve ser mais justa"

8 JUN 19 - 03h:00

Enquanto Mato Grosso do Sul arca com despesas do sistema penitenciário e oferece toda sua estrutura para o combate ao tráfico, a União retribui apenas com alguns cursos.

Nesta semana, mostramos aos nossos leitores que o convênio de 2014 entre os governos federal e de Mato Grosso do Sul para cooperação na área de Segurança Pública, especificamente no combate ao tráfico de drogas, está prestes a vencer e, se o vínculo não for renovado, a Polícia Federal terá de absorver todo o trabalho de repressão ao tráfico que atualmente é feito pelas polícias estaduais. Na quinta-feira, o governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), afirmou que não agirá com a União, oferecendo as mesmas facilidades que seus antecessores deram.

É um fato, o governo federal dá muito pouco em troca à administração de Mato Grosso do Sul para manter seus presos. No caso específico do nosso Estado, o tratamento deveria ser diferenciado, pois está localizado em uma região de fronteira com Paraguai e Bolívia, considerada corredor do tráfico de drogas. Os números mostram que, desde o ano passado, a apreensão de cocaína em cidades do sul do Estado (uma nova rota) só aumenta, resultado da cooperação das polícias Federal e Rodoviária Federal com o governo. 

Aliás, os resultados desse bom trabalho desempenhado pelas polícias parceiras geram um peso financeiro muito grande para a administração estadual. No sistema carcerário local, são mais de 7 mil presidiários ligados aos crimes relacionados ao tráfico de drogas. Muitos deles ainda não têm sentença condenatória, moram em outros estados e geram despesa para o governo local. A ajuda da União é inexistente, apesar de esses detentos serem brasileiros em sua maioria e estarem atrás das grades por crimes considerados federais.

A não renovação desse convênio causaria o caos no combate ao tráfico em uma região tão importante. Vejamos: um policial rodoviário federal que prendesse traficantes em flagrante no norte do Estado, por exemplo, em cidades como Coxim ou Sonora, teria de viajar até Campo Grande para registrar o flagrante na Superintendência Regional da Polícia Federal. Aliás, em Mato Grosso do Sul, além da unidade na Capital, a PF só tem outras cinco delegacias: em Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã, Dourados e Naviraí. Todas essas unidades teriam de assumir as ocorrências trazidas por outras polícias ostensivas.

Basta de Mato Grosso do Sul dar uma grande ajuda à União no combate ao tráfico e, em troca, receber apenas treinamentos das forças federais. É preciso mais. O combate ao tráfico de drogas na fronteira necessita de uma infraestrutura melhor, as polícias, de mais pessoas para trabalhar, e o Estado, de ajuda financeira para o sistema prisional.
 

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