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Campo Grande - MS, sábado, 19 de janeiro de 2019

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Uma das armas, mas não a única"

8 JAN 2019Por REDAÇÃO03h:00

Embora de grande importância para coibir abusos, radares não podem ser as únicas armas na luta por um trânsito mais seguro.

O mês de dezembro foi marcado pela reativação de radares em diversos pontos de Campo Grande. A medida é vista com desespero por apressadinhos de plantão. Na semana passada, os equipamentos entraram em operação na Avenida Gury Marques, em um ponto estratégico: nas proximidades de uma escola. Só o fato de ter um colégio por perto, com a entrada e saída de crianças, já deveria ser o suficiente para frear até mesmo os carros mais velozes.

Por essas terras, no entanto, nem mesmo o radar é capaz desse feito. Em muitos casos, os condutores reduzem a velocidade para passar no radar e, assim que se encontram fora do campo de autuação, pisam como se estivessem em uma competição automobilística. Essa postura só mostra que o brasileiro ainda está longe de se comportar de forma consciente no trânsito.

Muitos ainda não entenderam que um veículo na mão de alguém despreparado é o mesmo que lhe dar uma arma. E o excesso de velocidade é só uma das diversas infrações praticadas diariamente por condutores de Campo Grande. O destaque vai também para o uso de telefone celular enquanto dirige; em muitos casos, o condutor consegue até mesmo mandar mensagens de texto. É claro que, com atividades tão diferentes, o cérebro vai se concentrar em uma e, na maioria das vezes, é a mensagem de texto –  banal ou não, mas, sem dúvida, esperável até estacionar – que vence a disputa.

Somente no ano passado, mais de 80 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito. Este foi o primeiro aumento no número de mortes – em 2017, foram registrados 70 óbitos – em Campo Grande, depois de anos de redução. A culpa é, em parte, dos radares e lombadas eletrônicas, ou melhor, da ausência deles. Se a fiscalização já era pouca, imagine sem os equipamentos que, ao menos, coibiam por alguns segundos a velocidade indicada para aquele determinado local.

Em ruas e avenidas predominam – com exceções, é claro – os apressadinhos, mas também aqueles sem cinto ou que gostam de mandar mensagem de texto enquanto estão no volante. Além das lombadas e dos radares, é essencial uma ação mais enérgica para combater a todos os excessos no trânsito, incluindo os que os radares não são capazes de verificar, uma vez que a dor no bolso ainda é a melhor agente transformadora que temos neste sentido. Porém, não podemos deixar de bater na tecla da conscientização e da educação. Basta recordar como era o trânsito e como era dirigir há duas décadas ou até mais. As sociedades se transformam e o trânsito é reflexo dessas mudanças. Torcemos para que tenhamos gerações melhores que a nossa no futuro.

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