Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira:
"Trânsito: terra sem lei"

17 OUT 2017Por 03h:00

Punição é exemplo. Impossível que todos os motoristas, sobretudo os imprudentes, não saibam dos riscos a que estão expostos.

Falta de educação, de fiscalização e de cuidado com o próximo mata, e muito. As estatísticas da violência no trânsito durante o último feriado prolongado estão disponíveis para comprovar que a imprudência - e em muitos casos, a inconsequência - ao dirigir é letal. Foram pelo menos 14 mortes entre a última terça-feira, dia 10, e o domingo, dia 15. Destes óbitos, 12 ocorreram em rodovias estaduais.

Para que o número de mortos em acidentes nas rodovias de Mato Grosso do Sul ultrapassasse a média de dois por dia neste período da semana passada, a sensação de impunidade de quem trafega pelas estradas foi fator essencial. Em uma das ocorrências, por exemplo, na MS-470, perto de Rio Negro, duas mulheres morreram em capotagem de um carro. Há indícios de que o motorista estava embriagado.

Em quase todos os acidentes do fim de semana, a alta velocidade foi determinante para que as consequências das colisões fossem ainda mais cruéis para as vítimas. Também na semana passada, a Polícia Rodoviária Federal, flagrou motoristas em altíssima velocidade. Um deles, a 184 km/h.

É mais do que preciso que as polícias rodoviárias e as autoridades de trânsito, atuem de forma mais incisiva para conter o comportamento inconsequente dos motoristas. O desprezo que eles têm pela vida - própria e alheia - é algo que merece ser estudado e combatido. O que leva uma pessoa a transitar em estradas cujo limite é de 80/h ou 110 km/h em velocidades só vistas em competições dentro dos autódromos? Mais: o que passa pela cabeça de alguém que dirige alcoolizado, oferecendo risco a si e aos passageiros e outros motoristas?

Os bons condutores, que respeitam os limites de velocidade, não bebem antes de dirigir e sempre agem preventivamente, são, a todo instante, tentados a violar as leis de trânsito por causa do comportamento dos imprudentes. São eles que testemunham os atos inconsequentes e também a impunidade sobre estes infratores. Aliás, o que os bons motoristas raramente testemunham são blitze em rodovias - e também na zona urbana. Normalmente, quando as ações de fiscalização ocorrem, são em horários em que é improvável flagrar um beberrão, ou alguém que pensa que a rodovia é uma pista de corrida.

Punição é exemplo. Impossível que todos os motoristas não saibam dos riscos a que estão expostos. Se as leis são instrumentos do Estado para estabelecer limites aos cidadãos, é necessário que estas regras sejam impostas por meio de mais fiscalização, aplicação de multas, e até mesmo prisão de alguns. Tudo isto, porém, ocorre muito pouco. A regra, a julgar pelas estatísticas da violência no trânsito, é desobedecer a lei.

A presença da polícia nas estradas também é algo essencial. Mas em um ano de contenção de despesas como o atual, a constatação é que as polícias rodoviárias estadual e federal não foram poupadas desta medida drástica. Ver policiais nos postos de fiscalização, e viaturas transitando, virou cena rara. 
 

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