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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira:
"Sem obras, sem nada"

21 MAI 19 - 03h:00

Enquanto a prefeitura e a empresa Leroy Merlin travam disputa na Justiça que deve definir a respeito das melhorias a serem realizadas como forma de compensação, é a população que espera sem perspectiva.

Na contramão da normalidade que envolve investimento em determinada área para posterior recebimento de lucros, uma das maiores empresas do setor de home center do Brasil com 21 anos de atuação no País e quase quatro anos em Campo Grande, ingressou na Justiça para escapar da obrigação de realizar obras na Capital. A chamada compensação ambiental é comum e parte do  processo de conquistar clientes que vivem na região onde a empresa atua, proporcionando por exemplo, mais segurança no trânsito como instalação de semáforos, faixas de pedestres e placas de sinalização. Ou ainda, cabe a construção de praça, escola e até posto de saúde.

No caso da Leroy Merlin as obras previstas custariam R$ 1,250 milhão, valor ínfimo perto da a receita anual da companhia que ultrapassa R$ 2 bilhões no País. Mas a gigante do setor de varejo se recusa a realizar a mitigação necessária no entorno do local onde construiu e inaugurou há 43 meses, uma das maiores lojas de materiais de construção e acabamento da cidade. Além disso, a mesma empresa também foi atuada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) e deveria pagar multa de R$ 697.571,51, por “ocupar ou utilizar imóvel sem Habite-se”. Ou seja, o prédio da loja não está regularizado. 

Enquanto o processo se arrasta, a prefeitura realizou pequenas intervenções na região do Nova Lima. Nada muito significativo, mas foi o suficiente para a empresa se esquivar e justificar com base justamente nisso a não realização da parte que lhe cabe em casos de isenções e benefício oferecidos pela própria administração municipal para que se instalasse na cidade, na expectativa de gerar emprego e renda à população.

Mas parece que a prefeitura acabou levando "gato por lebre". O acordo é anterior a atual administração. O que não isenta a atual de agir para solucionar o entrave, afinal as responsabilidades são as mesmas para com cada cidadão que vive na cidade.
A má fé da empresa fica clara, pois ainda em  dezembro de 2013, quando adquiriu o terreno a área foi submetida a estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV) pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb). E na época foi a própria loja que propôs minimizar o aumento do tráfego na região, com várias medidas mitigatórias “relacionadas a prevenção de acidentes, diminuição de velocidade na Avenida Cônsul Assaf Trad e melhoria de acessibilidade na região como a implantação de sinalização necessária no entorno”.

Em junho de 2015, antes da inauguração, a prefeitura trocou as exigências nas vias, que seriam atendidas com o PAC, pela revitalização do Parque Cônsul Assaf Trad. De la pra cá nada saiu do papel. E quem saiu perdendo foi toda a população.

 

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