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Confira o editorial desta terça-feira: "Sem a devida proporção"

19 NOV 19 - 03h:00

É claramente desproporcional a ação dos servidores da Guarda Municipal em que eles apontam espingardas para mulheres a caminho do trabalho que protestavam pela falta de ônibus.

Não é só em Campo Grande que, a cada dia, a Guarda Municipal ganha status de polícia. Em várias cidades espalhadas pelo Brasil, a força de segurança do município tem recebido cada vez mais poder por parte dos prefeitos. A instituição foi criada décadas atrás para zelar pelo patrimônio público e impedir que atos de vandalismo descaracterizem praças, canteiros, escolas e outras repartições do município. Nos últimos anos, porém, diante do clamor da população por uma sensação maior de segurança nas ruas e das dificuldades de outras forças de segurança ostensivas em atender a este anseio, os guardas municipais ganharam mais protagonismo.

Em Campo Grande, a escalada de poder da Guarda Municipal é notória, e o aumento dos problemas referentes à sua atuação também ocorre na mesma proporção. De dez anos para cá, os guardas da Capital ganharam farda nova, foram autorizados a utilizar armas – inclusive espingardas calibre 12 – e tiveram sua atuação ampliada: passaram a concorrer com os fiscais da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para poder multar os automóveis; também entraram na mesma função dos fiscais da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) e passaram a ser fiscais ambientais; e para coroar a atuação, cada vez mais parecidos com uma polícia, receberam este nome no ano passado, e só tiveram de retroceder porque o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul atendeu a pedido de liminar da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e determinou que a força do município voltasse a ser chamada de Guarda Municipal.

No fim de semana, a instituição voltou a ser lembrada pela população local – não pelo bom serviço prestado, mas pela truculência de seus integrantes. É claramente desproporcional a ação dos servidores desta força de segurança, apontando espingardas para mulheres que reclamavam da escassez de ônibus no Terminal Morenão. Que mal estas cidadãs – a maioria a caminho do trabalho e sem transporte para isso – poderiam fazer aos integrantes desta força de segurança naquele momento? Estavam armadas? Representavam perigo? O que levou estes pretensos policiais a levantar suas armas e colocarem elas na mira? Estas perguntas deverão ser respondidas em processo administrativo-disciplinar que a prefeitura abriu contra eles. A população também quer ver estas mesmas perguntas respondidas. 

Este não é o primeiro episódio em que a imagem da Guarda Municipal fica comprometida perante a opinião pública. Em maio, o guarda municipal Marcelo Rios foi preso com dezenas de armamentos – entre eles fuzis AK-47 – e milhares de munições. Mais tarde, em um desdobramento desta ocorrência, vários outros guardas foram presos na Operação Omertà, por envolvimento com milícia armada e grupo de extermínio.

Cada dia mais parecida com uma polícia, seria interessante que a Guarda Municipal ajudasse a estabelecer um novo conceito: de uma força de segurança mais próxima do cidadão, e que promovesse a segurança do patrimônio público de forma eficiente e proporcional.

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