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Campo Grande - MS, quarta, 21 de novembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Engodos comprovado"

27 JUN 2017Por 03h:00

Há pressa para “mostrar serviço” e tentar deixar marcas para apagar os meses anteriores de lentidão e descaso.

A três meses das eleições municipais, em 2015, o então prefeito de Campo Grande Alcides Bernal - que buscava reeleição - anunciou ousado plano de recapeamento de avenidas da cidade. Depois de meses de dificuldades financeiras e estagnação de investimentos, foram licitadas obras que somam R$ 22 milhões para dez vias. Tudo com recursos próprios.

Milagrosamente, a gestão que tinha deixado as ruas repletas de buracos tinha disponível dinheiro considerável para garantir essas melhorias. À época, o Correio do Estado divulgou que se tratavam de “licitações fantasmas”, fato negado pelo atual gestor. Hoje, comprova-se que tudo foi engodo orquestrado em nome oportunismo e busca por popularidade. A atual gestão precisou cancelar os editais simplesmente porque não havia dotação orçamentária para executá-los. Ou seja, as obras foram lançadas sem que houvesse dinheiro 

Trata-se de problema grave ao Município, podendo acarretar em prejuízos financeiros. Empresas foram selecionadas para executar os investimentos e uma das obras chegou a ser iniciada, na Marquês de Lavradio. A atual administração ainda não tem previsão de quando poderá retomar os trabalhos, algo que implica em perdas para a empreiteira contratada e até responsabilidades jurídicas pelo compromisso assumido mas, lamentavelmente, descumprido. Além da elevação do custo de qualquer obra paralisada, os  moradores terão de conviver por mais tempo com a via em condições precárias 

Infelizmente, medidas impetuosas, sem planejamento e com objetivos escusos já estão lesando os cofres públicos. Também em ano eleitoral, Bernal contratou - sem licitação, por meio de adesão à ata - a empresa Solar Energia e Distribuição por R$ 33,8 milhões. Foram pagos 

R$ 20 milhões e a instalação foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado, justamente por conta das suspeitas de irregularidades nos contratos. Agora, a empresa desapareceu, não tem mais um centavo em conta, nem para pagar honorários a um advogado ou aluguel de imóvel na cidade e, por isso, já responde na Justiça. As lâmpadas estão em conteinêres na Secretaria Municipal de Obras, aguardando o desfecho desse impasse que parece longe do fim. O TCE já indicou evidências de fraudes, crimes de prevaricação e improbidade administrativa. Esboça-se a tentativa de acordo para, ao menos, utilizar as lâmpadas e tentar minizar as perdas já causadas, mas o trâmite é demorado. 

A falta de responsabilidade nas ações administrativas precisa ter respostas mais céleres dos órgãos fiscalizadores. Inclusive, os contratos formalizados ao final de gestões são particularmente problemáticos, em sua maioria. Somente nestes seis primeiros meses, a gestão de Marcos Trad precisou cancelar ou suspender 49 procedimentos licitatórios abertos quando Alcides Bernal e Gilmar Olarte estiveram a frente da prefeitura por falhas nos projetos, erros nos editais ou falta de recurso. Incompetência ou demagogia? 

Os casos exemplificam o perigo dos engodos que surgem durante o ano eleitoral. Há pressa para “mostrar serviço” e tentar deixar marcas para apagar os meses anteriores de lentidão e descaso. Atenção redobrada em 2018 para o histórico completo dos candidatos e para as ilusões frequentemente vendidas nos discursos eleitorais.  

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