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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Desamparo organizado"

18 JUN 19 - 03h:00

Quando os índios se matam por excesso de consumo de drogas e álcool, poucos se importam. Muitas das organizações estão mais ocupadas com a expansão das demarcações.

Nos últimos anos, o conflito envolvendo, de um lado, lideranças indígenas e organizações que dão apoio a elas e, do outro, os proprietários rurais agravou a polarização entre esses grupos, elevando os ânimos – sobretudo na região sul do Estado – não somente dos envolvidos na disputa por terra, mas de toda a opinião pública. Infelizmente, a polarização provoca danos sociais seríssimos aos cidadãos de Mato Grosso do Sul, e principalmente aos próprios envolvidos. 

Reportagem publicada nesta edição mostra um pouco não do conflito, que muitos já sabem de cor os motivos, mas as consequências desta polarização, que relega uma numerosa população a uma miséria quase absoluta em Dourados, uma das cidades mais ricas de Mato Grosso do Sul. A violência, motivada pelo alto consumo de drogas e álcool, está cada vez maior dentro das aldeias indígenas. A média é de três mortes por semana em decorrência disso.

Não estamos aqui para entrar no mérito sobre quem tem razão nos conflitos por terra em andamento. Estamos aqui para frisar que segurança e assistência são deveres do poder público e que os que têm essas obrigações nestas cidades polarizadas devem agir sem qualquer distinção. São servidores públicos e, como o nome da profissão já diz, devem atender a todos. 

Também é necessário que as organizações não governamentais voltadas às causas indígenas, normalmente ligadas à expansão de seus territórios, tenham a mesma preocupação em tentar evitar que eles se matem ou mesmo que eles fiquem cada vez mais doentes. No início deste ano, denunciamos neste jornal supostos desvios de recursos públicos que eram destinados à organização que deveria aplicá-los na saúde indígena. A situação dos índios guaranis-kaiowás da região sul do Estado continua a mesma de muitos anos: abandono e dificuldades. 

Quando os índios morrem por falta de assistência ou se matam por excesso de consumo de drogas e álcool, poucos se importam. Muitas das organizações que dizem apoiá-los estão mais ocupadas com a expansão das demarcações, enquanto alguns dos que estão do outro lado – dos proprietários – têm pouco interesse nestas vidas. 

Onde o poder público e a sociedade civil atuam de modo proativo, levando segurança e assistência, há justiça social e, consequentemente, paz. É disso que precisamos.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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