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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Atuação cirúrgica"

23 ABR 19 - 03h:00

O caos na saúde só se resolve com atuações do poder público em várias frentes: conscientização da população, combate à corrupção e ajuste dos gastos.

O cotidiano dos postos de saúde de Campo Grande não é muito diferente do dia a dia dos pacientes que frequentam estas unidades. Em alguns momentos, estão bem, em relativa paz; em outros, estão em crise, precisando de atendimento. Nesta edição, mostramos que, depois de alguns dias de trégua, alguns centros de saúde da cidade voltaram a viver dias de tormenta. Começou pela unidade 24 horas do Bairro Coophavila II, que no domingo, com poucos médicos para atender à alta demanda, teve de lidar com longas filas de pacientes; alguns esperaram por até seis horas para, enfim, chegar à sala do consultório médico.

Em meio a estas situações caóticas, o pior é a certeza de que o problema continuará. Em primeiro lugar, porque a consulta médica dificilmente resolverá o problema do paciente, ainda mais em uma situação de urgência ou emergência. Na maioria dos casos, estes pacientes tomam soro, são medicados com alguns remédios para que a dor passe, recebem algumas orientações e vão embora para casa. A chance de voltarem para casa em uma situação de maior gravidade (ou até mesmo emergencial) é muito grande.

Uma das soluções para desafogar não só o sistema de urgência e emergência das unidades de pronto atendimento de Campo Grande, mas também os hospitais, seria melhorar a prevenção. O problema, porém, é que as filas de exames também são enormes. Quem depende da saúde pública dificilmente consegue demonstrar para o médico os seus sintomas. Assim, o tratamento praticamente não existe. Para piorar, a população acaba sendo negligente em situações de resolução mais fácil, como nas campanhas de vacinação.

É evidente que os bilionários recursos públicos destinados à área da saúde são mal aplicados. A conta simplesmente não fecha. O gasto é grande e o retorno do que se aplica é praticamente invisível. Os mecanismos de controle devem ser aprimorados e a gestão de saúde deve se tornar cada vez mais transparente, para aumentar a credibilidade e inibir a corrupção.

Mas também é preciso atacar em outra frente para reduzir o caos da saúde pública. O Estado deve analisar o custo dos atendimentos. Há situações em que grande parte dos recursos para a saúde é direcionada à folha de pagamento de médicos e outros funcionários. Os médicos devem ser muito valorizados, mas chega o momento de o poder público assumir a gestão deste problemático setor, adotando um tratamento similar ao que muitos dos próprios profissionais da saúde recomendam: de choque.

Enquanto medidas incisivas e objetivas não forem tomadas para melhorar o setor de saúde pública, qualquer outra coisa que se fizer terá a mesma eficiência de se enxugar gelo.

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