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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "A educação está doente"

Confira o editorial desta terça-feira: "A educação está doente"
15/10/2019 03:00 -


Os professores estão adoecendo, mas o que parece é que muitos deles não desejam os tratamentos de curto prazo, só remédios de efeito mais lento, no longo prazo.

Há quem diga – e não são poucos – que o melhor e mais consistente caminho para transformar a sociedade é por meio da educação. Também são muitos os que diagnosticam a sociedade atual como “doente”. As avaliações vão dos cientistas até os cidadãos do cotidiano, que constatam o que percebem – impressão que também costumamos chamar de senso comum.
De fato, há algo errado, até porque as constatações são de pessoas de todos as faixas etárias, níveis de escolaridade e classe social. Há um problema a ser resolvido. É preciso atacar a causa de um mal que deixa muitos ansiosos, deprimidos, em pânico e sem referências. A pista para a origem deste problema que respinga em toda a população certamente está nas rápidas transformações sociais, fenômeno que empresta o nome que lhe convém: perda de valores ou, segundo afirmação de uns ou de alguns, desequilíbrio. Enfim, independentemente do nome atribuído, os maus deste século atuam nas mentes e nos corpos das pessoas.

Nesta edição, publicamos um leantamento minucioso que mostra que o total de professores afastados seria suficiente para fazer com que algumas dezenas de escolas funcionem – somente com eles. Uma parte significativa destes docentes que estão em casa e que poderiam estar na sala de aula foi diagnosticada com doenças psiquiatricas, como depressão, síndromes do pânico e de burnout, além de outros transtornos.

Um paradoxo curioso deste fenômeno, que afasta milhares de docentes das escolas e gera gastos altíssimos para o poder público, é que o fato que ocasiona estes afastamentos são justamente os problemas sociais que poderiam ser transformados no longo prazo, por meio da educação, cujos principais agentes são eles: os professores.

Diante desta constatação, fica o questionamento: por que os professores também não começam a se transformar? O primeiro passo, certamente, seria modificar o ambiente de trabalho deles. Ao contrário de outrora, boa parte dos estudantes tem dificuldades de encontrar os valores que normalmente eram aprendidos em casa, como respeito e disciplina, por exemplo. Sem que estes valores estejam presentes nos alunos, o trabalho dos professores fica muitíssimo mais difícil.

É preciso que os educadores estejam abertos a discutir melhorias de curto prazo na educação, e não somente estratégias de longo prazo. O governo federal, por exemplo, tem dado início a um processo de militarização de algumas escolas. Alguns professores e entidades sindicais criticam a experiência piloto, mas, publicamente, pouco propõem em termos de soluções para um curto prazo. Um fato já tem sido constatado em alguns estados onde a experiência tem sido feita: com os policiais nos corredores das escolas, a qualidade do ensino melhorou: há mais respeito e disciplina no ambiente. Os professores estão adoecendo, mas o que parece é que muitos deles não desejam o tratamento no curto prazo.

Felpuda


As pré-candidaturas bizarras estão se espalhando nas redes sociais, nos perfis de quem acredita que esse tipo de “campanha eleitoral” poderá resultar em votos e até levar à conquista de uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande. Se antes isso era visto apenas no horário eleitoral na TV, agora está se espalhado como erva daninha nas redes. Como diria vovó: “Esse povo ainda se acha!” Afe!