Quinta, 14 de Dezembro de 2017

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Segurança nacional"

29 SET 2017Por 03h:00

É preciso que, a partir das tragédias vivenciadas recentemente, comecem a colocar em prática estratégias unificadas na segurança pública.

Há grave erro em tratar a guerra do tráfico como problema isolado das favelas do Rio de Janeiro. O que acontece lá tem raízes intrínsecas com a vulnerabilidade da fiscalização na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia. Carregamentos vultosos de maconha e cocaína continuam passando todos os dias, quase livremente, pelas estradas, rumo a diferentes estados. Muitas vezes, também camuflam armas.

Dessa forma, as organizações criminosas se fortalecem, o poder destrutivo das drogas faz mais vítimas, situações que refletem na insegurança, em mazelas sociais e de saúde pública em todos os municípios brasileiros. O caos enfrentado pelos cariocas expõe, ainda, a ausência de política eficiente de segurança nacional. Os investimentos nesse setor ainda são planejados de forma individual por unidade da Federação, na base do “salve-se quem puder”, para tentar minimizar os efeitos dos deficits de efetivo e de estrutura, que se repetem há anos. 

Na última semana, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, reuniu-se com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e pediu a criação de força-tarefa nos moldes da Lava Jato, com foco no Rio, para identificar os envolvidos no crime organizado e a possível participação de agentes públicos. Outro ponto a ser atacado é a fragilidade dos presídios, pois muitas lideranças continuam dando ordens e comandando quadrilhas mesmo estando atrás das grades.

Problema que ocorre inclusive nas unidades federais, que, teoricamente, são consideradas modelos nacionais. O encontro foi a portas fechadas, mas, nas repercussões e entrevistas, nada foi dito acerca das fronteiras. Obviamente, diante da situação emergencial, o Rio precisa ser o foco para que ao menos a ordem pública seja restabelecida. Desde sexta-feira, começaram operações das polícias Civil, Militar e Forças Armadas, mas as facções ainda seguiam disputando espaço. Até as tropas enfrentam dificuldades para avançar nesse campo minado, conforme divulgou O Globo.

As intervenções urgentes feitas pelas forças de segurança poderão até controlar os conflitos momentaneamente. Mas não será possível dizer que os moradores voltarão à rotina de normalidade, pois há anos o convívio com situações de violência permanece, mortes são frequentes e o cotidiano é permeado de medo. É preciso que, enfim, a partir das tragédias vivenciadas recentemente, comecem a colocar em prática estratégias unificadas na segurança pública. Não há como esperar mais! A inércia do governo tem favorecido as facções a ampliarem suas atuações. Frequentemente, em operações desencadeadas pela Polícia Federal, quadrilhas são presas com ramificações em diferentes estados e sempre há alguma base para o tráfico montada em cidades fronteiriças de nosso Estado. 

A criação de força-tarefa, certamente, identificará “tentáculos” das organizações em Mato Grosso do Sul, tendo, portanto, reflexos na segurança local. Ainda esta semana, por exemplo, foram apreendidas 6,5 toneladas de maconha e, novamente, ficamos sem respostas sobre os traficantes donos do gigantesco carregamento. A batalha será sempre desigual, enquanto continuarmos dependendo de efetivo desfalcado limitado a fiscalizações pontuais. O plano nacional estratégico e integrado de segurança não pode mais ser adiado. 
 

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