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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: “Pensando no futuro”

15 MAR 19 - 03h:00

Com o aumento cada vez maior da quantidade de lixo produzido, ordenar descarte de resíduos sólidos é pensar nas próximas gerações

Duas medidas pretendem aumentar a gestão e o controle na manutenção e descarte de resíduos sólidos em Campo Grande. A primeira delas entra em vigor já na próxima segunda-feira e pretende colocar fim a um problema antigo da Capital: o descarte ilegal de restos de construção civil em terrenos baldios. A região periférica é a que mais sofre com essa falta de cidadania por parte de alguns moradores e de ética de algumas empresas, que, mesmo havendo um local correto para a destinação dos resíduos sólidos, insistem em jogar em regiões afastadas ou terrenos baldios, desde que bem longe de onde residem. Para coibir pelo menos uma dessas irregularidades,  empresas foram cadastradas e as caçambas serão rastreadas para justamente o caso de descarte regular.

O objetivo é garantir que entulhos e restos da construção civil sejam jogados no local correto, obedecendo às normas de segurança e trânsito desde a instalação ao descarte. Quanto ao descarte irregular feito por moradores, cabe à população fiscalizar e denunciar casos. Só assim vamos chegar a uma sociedade em que o Poder Executivo não precise investir recursos financeiros e humanos para garantir que o lixo seja jogado no lixo.

Enquanto isso, esses sistemas saem mais em conta do que o custo que o descarte irregular gera. Além de crime ambiental, resíduos sólidos em terrenos baldios se tornam pontos de proliferação de animais peçonhentos e de doenças dos mais diversos tipos, gerando gastos à saúde e, sem contar que a prefeitura terá de limpar o local.

Essa questão de obrigatoriedade é outro ponto que precisa ser discutido no Brasil. O Poder Executivo tem muitas responsabilidades e deixa a desejar em muitas delas. Mas a população também tem obrigações a cumprir. Entre elas, a de cuidar do próprio lixo que produz. Cada cidadão é responsável pela destinação correta do seu lixo. Separar o que for reciclável, colocar na lixeira corretamente é obrigação de cada morador. À prefeitura cabe implantar local apropriado para esse descarte, gerir ou terceirizar a coleta desse lixo e criar mecanismos para a coleta seletiva, como determina o governo federal.

Responsabilidade que não se aplica aos grandes geradores de resíduos sólidos. São empresas de pequeno, médio ou grande porte responsáveis pela geração expressiva de lixo e deixam para a prefeitura a responsabilidade da coleta. Nessa lista entram de hotéis e pequenas casas de sucos a grandes restaurantes e shoppings, tudo que produz mais de 200 quilos de resíduos sólidos por dia.  O custo para coletar o lixo dos grandes geradores, por sinal, é rateado com toda a população, ou seja, é pago por todos os moradores, situação que deve se prolongar por mais tempo.

Mesmo com a medida valendo desde janeiro, são poucos os estabelecimentos que se regularizaram e passaram a gerir o próprio lixo, como mostrou reportagem do Correio do Estado desta semana. A adesão foi de apenas 100 empresas, enquanto o volume de estabelecimentos que se enquandram no perfil de grandes geradores chega a 3,8 mil. Agora o setor pede mais prazo para que seja possível a readequação de todos, medida que será discutida na manhã de hoje. O diálogo é importante, mas  também é essencial que cada um assuma suas responsabilidades dentro desse processo, até por uma questão de justiça com quem aderiu às novas regras e já está se cadastrando.

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