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Campo Grande - MS, quarta, 16 de janeiro de 2019

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira:
"O teste da educação "

11 JAN 2019Por 03h:00

O grande desafio da Secretaria de Estado de Educação ao testar a oferta de ensino a distância nas escolas será manter a disciplina dos alunos e aumentar a qualidade.

O governo do Estado começará neste ano a testar o sistema de ensino em que parte das disciplinas será oferecida a distância, por meio de equipamentos eletrônicos, como tablets ou microcomputadores. Por enquanto, conforme reportagem publicada nesta edição, não se trata do tradicional EAD (Educação a Distância) da maneira que conhecemos em outras modalidades, como no Ensino Superior, em que o aluno não precisa sair de casa para estudar. O teste será da forma que a lei permite, em que parte das aulas continua presencial e outras lições são oferecidas de forma remota.

A medida tem seus prós e contras, como quase tudo em nosso cotidiano. E, por ter esta estreita ligação com o dia a dia da população, requer atenção especial da sociedade e também da Secretaria de Estado de Educação (SED). Sabemos que, em princípio, o ensino oferecido a distância pode ser, muitas vezes, bastante eficiente, em primeiro lugar, porque padroniza a linguagem e o conteúdo transmitido para o estudante, e, em segundo, porque permite ter mais controle sobre o conteúdo que está sendo ministrado e se ele está sendo absorvido ou não. 

Claro que não podemos deixar de lembrar do aspecto financeiro. O mesmo professor que será remunerado para transmitir a teleaula ou para enviar as disciplinas vai ocupar o espaço de outros três docentes, que entregariam o conteúdo pessoalmente aos estudantes. Tal prática já tem sido utilizada em quase todas as universidades privadas, em que o ensino é misto: parte é oferecida a distância e outra parte, de forma presencial.

Com melhor controle e padronização do conteúdo oferecido e com a suposta economia que a modalidade deve gerar aos cofres públicos – pois o gasto com pessoal deve ser reduzido –, o governo terá mais responsabilidade. O dever de oferecer educação é formar o cidadão, tarefa que requer disciplina e acompanhamento. Resta saber, na prática, se os instrumentos de acompanhamento vão melhorar, de fato, a qualidade do ensino ou se será apenas “mais do mesmo”, porém, a distância.

Basta conversar com qualquer professor para chegar à conclusão de que um dos maiores problemas nas escolas públicas brasileiras é a dificuldade de fazer com que os alunos tenham disciplina – no sentido de obedecer às regras. Gera muita dúvida, e quase uma descrença, de que os estudantes – que já não prestam atenção no que o professor fala – se preocuparão com o conteúdo gerado de forma remota e transmitido por um tablet, televisão ou computador. Por isso, trata-se de um teste. Esperamos que a educação sul-mato-grossense passe nele. 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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