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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "O alto preço do descaso"

17 MAI 19 - 03h:00

O Consórcio Guaicurus atua há sete anos em Campo Grande. As empresas que compõem o sistema de transporte coletivo da Capital, entretanto, atuam há muito mais tempo – há décadas.

Nos anos 2000, é importante ressaltar, estas mesmas empresas tinham proprietários diferentes e, por mais que atuassem em determinadas regiões e linhas, acabavam por concorrer entre si, pois uma servia de exemplo – positivo ou negativo – para a outra.

E as diferentes formas de operação ajudavam a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) a fiscalizar melhor o serviço prestado.

Em 2012, porém, todas estas empresas uniram-se para compor o Consórcio Guaicurus, e deste agrupamento saiu o vencedor da licitação para operar o sistema de transporte coletivo da Capital por 20 anos. De lá para cá, é possível constatar que o transporte coletivo da cidade mudou, e para pior.

O projeto previa a integração dos passageiros e identificava os veículos por cores, de modo a facilitar – e tornar mais rápida – a locomoção. Os vermelhos eram os das linhas expressas; os verdes, os ônibus interbairros; os amarelos, das linhas convencionais; e os azuis, das alimentadoras.

Atualmente, os ônibus alimentadores identificados com faixas azuis são os únicos que existem. Os demais não têm classificação alguma. A justificativa foi o melhor aproveitamento da frota.

Outra característica do contrato de 2012 que piorou o serviço é a transferência da gestão dos terminais para o município. O resultado foi a criação de novos camelódromos, repletos de vendedores informais e de praças e plataformas de embarque ainda mais sujas e vandalizadas. Anteriormente, cada empresa do antigo Sistema Integrado de Transporte (SIT) administrava o terminal de sua região. Havia mais ordem.

Só agora, depois de sete anos da assinatura do contrato de concessão pelo Consórcio Guaicurus – que demonstra total desprezo às regras estabelecidas no vínculo bilateral –, a prefeitura parece ter começado a agir. Reportagem publicada pelo Correio do Estado denunciando a frota vencida foi o estopim para determinar a renovação dos ônibus e a aplicação de multa milionária.

O impasse entre as partes está judicializado, e isso interrompe a renegociação do contrato, essencial para que a qualidade do serviço melhore. Lamentavelmente, até que o processo – que está só começando – no Poder Judiciário tenha um desfecho, quem continuará pagando o caro preço pelo descaso do consórcio será o passageiro.

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