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Campo Grande - MS, sábado, 22 de setembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Novo fôlego para a economia"

14 SET 2018Por 03h:00

Com projeções que estimam o dólar em R$ 4,50 até as eleições para presidente, no próximo mês, e um cenário de retração econômica, o governo federal recorre, mais uma vez, ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para tentar dar novo fôlego à economia nacional.

A medida é menos expressiva se comparada à tomada no ano passado, quando trabalhadores puderam sacar dinheiro de contas inativas – somente em Mato Grosso do Sul, foram liberados mais de R$ 500 milhões para cerca de 388 mil trabalhadores, um fôlego e tanto para uma população que vinha de índices altíssimos de desemprego e endividamento.

Para este ano, a medida será um pouco diferente, mas não menos importante. Dentro de duas semanas, aproximadamente, trabalhadores da iniciativa privada com dificuldades para quitar suas dívidas, limpar o nome ou, até mesmo interessados em investir poderão ter acesso a uma nova opção de crédito: o empréstimo consignado com o uso do FGTS como garantia. A nova linha será adotada inicialmente pela Caixa Econômica Federal e pretende trazer taxas mais baixas se comparadas a outras linhas e condições acessíveis de pagamento. 

A notícia veio em boa hora e já de olho nas compras de fim de ano. Como mostrou reportagem deste jornal, publicada ontem, são mais de 100 mil pessoas endividadas somente em Campo Grande. Os números melhoraram em relação aos últimos dois anos, mas ainda estão longe de serem considerados animadores.

Com a recuperação da economia a passos lentos, afetada diretamente pela greve dos caminhoneiros, a população ainda luta para encontrar ou se manter no emprego que tem, assim como para deixar as contas em dia, e o jeito de não passar do grupo de endividados para o de inadimplentes é cortar todos os gastos.

O brasileiro aprendeu, a duras penas, a se adaptar a uma nova realidade econômica. Foram diversas crises, idas e voltas da inflação, ao longo da história, para ensiná-lo. Porém, de todas esses períodos de recessão, houve sequelas. Esta crise, a mais longa da história, pode estar relacionada à queda do poder aquisitivo da população e, consequentemente, ao aumento do índice de famílias vivendo na pobreza.  

Não é à toa que o processo de recuperação econômica, tão esperado ainda para este ano, ficou para 2019 e o crescimento de fato só virá a partir de 2020. Só dentro de dois anos é que o Brasil verá o seu Produto Interno Bruto (PIB) voltar aos índices registrados em 2014, ou seja, o País não vai crescer de fato, vai recuperar o que perdeu com a crise. 

Uma chama de otimismo para reverter esse quadro chegou a ser acesa em consumidores e empresários no começo deste ano. Houve uma melhora real nos números, só que por pouco tempo. Virou fumaça em julho, depois do balde de água fria jogado pela greve dos caminhoneiros. Agora, só restou a expectativa em torno das urnas. 

Por isso, medidas como esta do FGTS chegam em um bom momento, para evitar que a população se endivide ainda mais ou, até mesmo, para injetar novo ânimo no setor econômico no fim do ano. Liberar crédito com taxas acessíveis é fazer com que o dinheiro volte a circular no País em um momento em que tudo parece estar parando. Trata-se de um novo fôlego, enquanto a economia brasileira ainda patina para reencontrar novamente seu caminho. 

 

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